sexta-feira, 3 de setembro de 2010

COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (48)

Conforme o prometido, o programa deste sábado, dia 4, às 22h na FM CULTURA (107.7 no dial ou www.fmcultura.com.br) é um especial com os Pogues de Shane McGowan, com material dos dois principais discos da banda.


1º bloco: ‘Rum, Sodomy and Lash’ (1985)

Uma das raras unanimidades no pós-punk europeu, um grupo que não apenas tinha conceito entre os punks – afinal, começou inspirado no Clash –, como entre o pessoal de gerações anteriores: Tom Waits é seu fã, Bob Dylan convidou-os para abrir uma turnê sua. Unindo o punk à música tradicional irlandesa, os Pogues legaram também ao rock uma dos frontmen mais carismáticos, talentosos e atormentados dos últimos 30 anos.

Shane Patrick Lysaght MacGowan nasceu em 25 de dezembro de 1957 em Pembury, Kent, Inglaterra, de pais irlandeses, e cresceu justamente imerso na cultura do país vizinho – sua mãe, por exemplo, era cantora e dançarina da tradicional música irlandesa. Aos 14 anos, Shane ganhou uma bolsa de estudos na renomada Westminster School, mas acabaria sendo esxpulso no segundo ano por posse de drogas – e o convívio com os abusos químicos seria um problema que o acompanharia para sempre: Shane conta que começou a beber aos 4 anos de idade, com uma tia, e mais tarde, cultivaria o vício em heroína também. O que não o impediria de desenvolver sua carreira musical. Inspirado no Clash, participou de uma banda punk chamada Nipple Erectors, que mudaria seu nome para Nips depois. Com o fim desse grupo, formou os Pogues em 1982, com um cara que viu tocando flauta celta numa estação de metrô, Spider Stacy. Inicialmente, deram à banda o nome de Pogue Mahone – que no dialeto gaélico irlandês significa “kiss my ass” (“beije meu rabo”) –, logo mudado simplesmente para The Pogues, pra evitar boicote de emissoras de rádio e TV. Além de Shane e Spider, a primeira formação dos Pogues tinha o antigo guitarrista dos Nips, Jim Fearnley, o baterista Andrew Ranken, a baixista Cait O'Riordan, e Jem Finer, que tocava guitarra e banjo.

Os primeiros shows dos Pogues foram nas ruas e em tradicionais pubs irlandeses de Londres, e os caras tocavam basicamente canções tradicionais da Irlanda, mas logo as composições de Shane foram ganhando espaço. Assim como a música, a selvageria das apresentações ia ganhando fama – não era raro Shane subir ao palco totalmente embriagado. O primeiro single do grupo, independente, viria no começo de 1984, ‘Dark Streets of London’, e em seguida os Pogues já estariam abrindo uma turnê do Clash. Também não tardaria a aparecerem gravadoras interessadas, e a banda assinaria com a Stiff Records, histórica gravadora que lançou o primeiro single (‘New Rose’) e o primeiro álbum (‘Damned, Damned, Damned’) do punk britânico, ambos do Damned, e tinha no catálogo também Ian Dury e Elvis Costello. ‘Red Roses For Me’, o primeiro álbum, veio no mesmo ano de 1984, e continha canções clássicas do grupo, como o citado single de estreia e ‘Streams of Whisky’, mas os discos que fariam dos Pogues uma das bandas mais importantes do rock nos anos 1980 seriam os dois seguintes.

The Sickbed of Cuchulainn
The Old Man Drag
A Pair Of Brown Eyes
Sally MacLennane
Dirty Old Town
The Band Played Waltzing Matilda



2º bloco: ‘If I Should Fall From Grace With God’ (1988)

Transformado em septeto, com a entrada de mais um guitarrista, Phil Chevron, os Pogues lançariam em 1985 o disco que os estabeleceria como um dos grandes grupos de sua época. Produzido por Elvis Costello – que declarou que logo percebeu que sua tarefa era “capturá-los em toda sua glória decadente, antes que um produtor profissional os ferrasse” – e tirando seu título de uma frase falsamente atribuída a Winston Churchill sobre as verdadeiras tradições da Real Marinha Britânica – “Não me fale sobre tradição naval. Não é nada mais do que rum, sodomia e chicote” –, ‘Rum, Sodomy and Lash’ trazia um Shane MacGowan ainda mais inspirado como compositor, e uma banda afiadíssima. Há algumas versões para temas tradicionais, como no primeiro disco, mas aqui as canções próprias, como ‘The Sick Bed Of Cúchullaín’, ‘The Old Man Drag’ e ‘A Pair Of Brown Eyes’ tomam à frente. O disco fez sucesso dos dois lados do Atlântico, sendo adotado pelas college radios americanas. A capa também é um clássico: traz a obra ‘A Balsa da Medusa’, do francês Théodore Géricault, em que mostra alguns dos sobreviventes da fragata Medusa, que colidiu com um banco de areia navegando na costa oeste africana em 1816. Os rostos dos pobres tripulantes, que se amontoaram na referida balsa improvisada, sendo levados inexoravelmente à fome, ao canibalismo e ao desespero, foram trocados pelos integrantes dos Pogues.

Mas o grupo não soube aproveitar o momento de sucesso – se bem que também foram atrapalhados por algumas circunstâncias alheias à sua vontade: recusaram-se a gravar um novo álbum – o terceiro só sairia três anos depois –, sofreram um desfalque sério – a baixista O’Riordan casou com Elvis Costello e pulou fora –, a Stiff faliu. E os hábitos autodestrutivos de Shane começavam a atrapalhar o trabalho: se antes ele subia ao palco bêbado, agora simplesmente não aparecia mais, o que levou os caras a terem de cancelar várias datas. Mas a fama crescia: Shane e Cait atuaram em ‘Straight to Hell’, do diretor inglês Alex Cox e várias canções do grupo foram incluídas na trilha sonora do filme, em 1987. No ano seguinte, eis que surge o aguardado sucessor de ‘Rum, Sodomy and Lash’: produzido por Steve Lillywhite, ‘If I Should Fall From Grace With God’ traria a mais conhecida música dos Pogues, também considerada por alguns a melhor canção de Natal de todos os tempos, ‘Fairytale of New York’, um dueto de Shane com Kirsty MacColl, além de outros clássicos, como a faixa-título, ‘Turkish Song of The Damned’ e ‘Thousands Are Sailing’. O álbum, que diversificava as referências sonoras da banda – as influências agora vinham também da música espanhola, do jazz, e do leste europeu –, chegou ao número 3 da parada britânica e fez belíssima figura nos charts americanos, assim como o seguinte, ‘Peace and Love’, mas nada disso foi suficiente para segurar Shane, que bebia cada vez mais. Resultado: acabou sendo demitido do grupo que fundou em 1991.

Os Pogues ainda tentaram se virar sem seu marcante homem de frente por alguns álbuns – ‘Hell’s Ditch’ (1990), ‘Waiting For Herb’ (1993), ‘Pogue Mahone’ (1996) –, com Spider e Jem dividindo-se nos vocais, enquanto que nas turnês era o ex-líder do Clash, Joe Strummer, quem fazia o papel de Shane. Mas logo ficou claro que sem ele não tinha mais graça, e a banda anunciou sua dissolução em 1996. Voltariam em 2001 para uma tour pelo Reino Unido e desde então reunem-se esporadicamente, sem pretensões de gravar material inédito, segundo Spider. Pelo menos por enquanto.

If I Should Fall From Grace With God
Turkish Song of The Damned
Bottle of Smoke
Fairytale of New York
Thousands Are Sailing
Lullaby of London


PS - 'Rum, Sodomy and Lash', mais o álbum de estreia, 'Red Roses For Me', os derradeiros disco com Shane, 'Peace and Love' e 'Hell's Ditch', estão finalmente sendo lançados no mercado nacional, pela série "Best Sellers" (?) da Warner, a um precinho bem camarada, menos de 20,00 cada. Mais: além dos Pogues, a tal série traz os gloriosos discos iniciais de Tom Waits, clássicos de Joni Mitchel, o excelente 'Bummed', dos Happy Mondays (em edição especial), a antológica estreia de Crosby, Stills and Nash, o primeiro registro solo de David Crosby, além de bons álbuns de Ramones, Lou Reed, Alice Cooper, Dinosaur Jr., Aretha Franklin. Assim, a vida fica mais legal.

Um comentário:

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