quarta-feira, 1 de setembro de 2010

COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (46)

Só pra registro, o playlist do penúltimo programa, Especial com os MEAT PUPPETS. See Ya.


1º bloco:

Comemorando trinta anos de carreira em 2010, uma das mais míticas e longevas bandas americanas da cena indie dos anos 1980, um dos principais grupos do catálogo da não menos mítica gravadora californiana SST Records, e responsável pelo surgimento de um subgênero do pós-punk americano, o ‘cowpunk’, os Meat Puppets cumprem uma trajetória das mais peculiares e acidentadas do rock americano das últimas décadas: começaram tocando um hardcore mais ou menos corriqueiro, adicionando elementos da música de raíz americana, criaram um som único, ganharam as college radios americanas, conquistaram público fiel, esse público fiel torceu o nariz para eles quando o som passou a aproximar-se do mainstream, ganharam a sorte grande quando um certo Kurt Cobain convidou-os pra participar do Acústico MTV de sua banda, ganharam então as paradas do seu país, não seguraram a onda, um dos integrantes quase morreu por problemas com drogas, a própria banda morreu, mas ressuscitou tempos depois. Morreu de novo e viveu mais uma vez.

As origens do grupo remontam à adolescência dos irmãos Kirkwood, Curt (guitarrista) e Cris (baixista) em Phoenix, no Ariziona, onde começaram tocando em bandas de hard rock. O baterista Derrick Bostrom, que tinha uma invejável coleção de discos de punk rock no final dos anos 1970, tocava em uma banda chamada Atomic Bomb, que incluía Chris e gravou algumas demos. Os trÊs acabaram se juntando logo depois de formarem-se no high school. O primeiro nome escolhido foi The Bastians of Immaturity, logo trocado pra Meat Puppets, inspirado em um cartum. Tocavam um hardcore furioso, tocado o mais alto e sujo possível, que logo chamou a atenção de um olheiro da SST Records, gravadora de propriedade do guitarrista do Black Flag, Greg Ginn, que os contratou. Os primeiros discos, o E.P. ‘In a Car’ (1981), e o álbum de estreia, ‘Meat Puppets’ (1982), têm a marca do hardcore. A guinada viria no seguinte, ‘Meat Puppets II’ (1984), o indiscutível clássico do grupo.

In a Car (‘In a Car’ E.P., 1981)
Blue-Green God (‘The Meat Puppets’, 1982)
Split Myself In Two (‘The Meat Puppets II’, 1984)
Plateau (‘The Meat Puppets II’, 1984)
Lake Of Fire (‘The Meat Puppets II’, 1984)



2º bloco:

‘Meat Puppets II’, gravado em 1983, teve postergado seu lançamento pela SST em um ano, mas quando saiu logo causou sensação. À época, a banda já declarava estar cansada do hardcore, e tratou, então, de partir para novos rumos. Canções como as três que o Nirvana tocaria em seu Acústico da MTV com participação dos irmãos Kirkwood, dez anos depois – ‘Plateau’, ‘Lake of Fire’ e ‘Oh, Me’ –, além dos experimentos com o country & western, o folk, o blues rock e a psicodelia sessentista, garantiram a excelente repercussão do álbum, clássico absoluto da última grande geração do rock americano – aquela que se firmou no universo indie primeiro pra depois arrombar as portas do mainstream (R.E.M., Hüsker Dü, Sonic Youth, Replacements, um pouco depois o Dinosaur Jr.). No disco seguinte, a primeira controvérsia: ‘Up On The Sun’ deixava pra trás a pegada punk, aproximando-se do folk rock dos Byrds e do Buffalo Springfield, o que levou alguns fãs a acusarem os Puppets soarem perigosamente “parecidos com os hippies, traindo suas origens punk”. Mas esse terceiro disco do trio, com o passar do tempo, acabaria firmando como um dos melhores de sua carreira.

À época do E.P. ‘Out My Way’, porém, vem o primeiro percalço: em um acidente com a van da banda, Curt quebra um dedo, e o quarto disco, ‘Mirage’, de claras tinturas psicodélicas, só que mais acessível que os anteriores, é adiado pro ano seguinte. Em 1987, também sai ‘Huevos’, puxando mais pro hard rock e com influência evidente do blues rock do ZZ Top. Esse último é outro grande disco, trazendo uma banda afiada e gravado quase que de uma tacada só – a maioria das músicas foi registrada em um só take –, em poucos dias de gravação.

Enchanted Porkfist (‘Up On The Sun’, 1985)
Out My Way (‘Out My Way’ E.P., 1986)
Confusion Fog (‘Mirage’, 1987)
Get On Down (‘Mirage’, 1987)



3º bloco:

‘Monsters’, de 1989, com seus temas extendidos em jams e uma perigosa proximidade ao heavy metal, definitivamente desagradou aos fãs mais antigos, e também às normalmente militantes college radios: praticamente foi ignorado pelas emissoras universitárias americanas, basicamente o público cativo dos Meat Puppets. Seria o último álbum da banda pela SST: o trio foi contratado logo em seguida pela London Records, que lançaria os três discos do grupo nos anos 1990, ‘Forbidden Places’, de 1991, ‘Too High to Die’, de 1994, e ‘No Joke!’, de 1995. ‘Too High ...’, turbinado pela participação dos irmãos Kirkwood no Acústico do Nirvana, acabaria tornando-se o único álbum do grupo a figurar nas paradas, por conta do single ‘Backwater’, rendendo um disco de platina pelas mais de 500.000 cópias vendidas. ‘No Joke!’, talvez o disco mais fraco de todo o catálogo dos Meat Puppets, seria o último da formação original.

O envolvimento de Cris com vários tipos de drogas pesadas levaria o grupo a se separar em 1996, só voltando à ativa em 2002, e mesmo assim, à meia-boca: o baixista foi preso pelo entrevero com um segurança, que atirou em seu estômago, foi condenado e cumpriu pena, sendo solto em julho de 2005, mesma época em que o grupo resolveria pendurar as chuteiras mais uma vez. Mas seu calvário tava só começando: Cris ainda teria de encarar as mortes por overdose de sua mulher e outros amigos junkies, sumiu de vista, peramblulou como um zumbi por aí. Finalmente recuperado, voltou a seu antigo posto na nova volta dos Puppets, já sem Derrick, um ano depois, e desde então o reativado grupo lançou os álbuns ‘Rise to Your Knees’ em 2007 e ‘Sewn Together’ no ano passado. Em 2008, tocou inteirinho o repertório do clássico segundo álbum em um festival em Nova Iorque, repetindo a dose depois em Londres.

Look at The Rain (‘Huevos’, 1987)
Automatic Mojo (‘Huevos’, 1987)
Attacked By the Monsters (‘Monsters’, 1989)
Strings On Tour Heart (‘Monsters’, 1989)

Um comentário:

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