“I want to make this a special tribute
To a family that contradicts the concepts
Heard the rules but wouldn'€™t accept
And women-folk raised me
And I was full grown before I knew
I came from a broken home
Sent to live with my grandma down south
When my uncles was leaving
And my grandfather had just left for heaven
They said and as every-ologist would certainly note
I had no strong male figure right?
But lily Scott was absolutely not your mail order
Room service type cast black grandmother
I was moved in with her; temporarily, just until things were patched,
Til this was patched and til that was patched
Until I became at 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 and 10
The patch that held lily Scott who held me and like them 4
I become one more and I loved her
From the absolute marrow of my bones
And we was holdin on,
I come from a broken home
She had more then the 5 senses
She knew more then books could teach
And raised everyone she touched just a little bit higher
And all around her there was a natural sense
As though she sensed what the stars say what the birds say
What the wind and the clouds say
A sensual soul and self that African sense
And she raised me like she raised 4 of her own
And I was hurt and scared and shocked
When lily Scott left suddenly one night
And they sent a limousine from heaven to take her to god,
If there is one.
So I knew she had gone; and
I came from a broken home”
(Uma das canções de teor autobiográfico do reflexivo ‘I’m New Here’, excelente disco que põe fim a um hiato de mais de 15 anos na carreira do grande Gil Scott-Heron, ‘On Coming From a Broken Home’ relata uma das passagens mais marcantes de sua vida: a mudança para a casa da avó, Lillie, após o divórcio dos pais. Além de ser um dos inventores do canto falado na música negra americana e um dos primeiros artistas black engajados – as duas facetas podem ser conferidas na canção ‘The Revolution Will Not Be Televised’, de 1970 –, Gil também é escritor: seu romance ‘Abutre’, retrato contundente da vida no gueto, saiu no Brasil anos atrás, publicado pela Ed. Conrad.)
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Eu e Meu Brinquedo (11) – BRIAN DE PALMA
“Estávamos assistindo à guerra às 18:30 no jornal, todos os dias. O governo não havia prendido a controlar a mídia nestes assuntos, ainda. Assistimos imagens, diretas, de pessoas explodindo, corpos e sangue, de crianças morrendo ... Tudo isso deu início ao movimento pacifista. Da mesma forma que o movimento dos direitos civis teve seu início com imagens de cães mordendo as pessoas negras. Cães que os policiais e xerifes soltavam e que atacavam os negros no chão. Quando assistimos a essas imagens, o país inteiro acordou”.
“Comecei na época das câmeras leves, que de repente estavam seguindo as pessoas, com câmeras leves de 16 mm. Vimos o que pensávamos ser os Maysles (NOTA: os irmãos Albert e David, documentaristas, papas do “cinema direto”, diretores de ‘The Beatles: The U.S. First Visit’ e do controverso ‘Gimme Shelter’, dos Rolling Stones e ) e os sócios de Drew (NOTA: Robert Drew, documentarista americano, adepto do cinema-verdade, famoso pelo filme ‘Primary’, cobrindo as primárias do Partido Democrata ocorridas no estado de Wisconsin entre os pré-candidatos à Presidência John Kennedy e Hubert Humphrey). Estávamos vendo todos esses documentários fabulosos, dizendo: É assim que é a vida. A câmera está pegando tudo. É impressionante’. Assim, o público acreditou. É nesta época que temos a citação famosa de Godard: ‘O cinema é a verdade 24 quadros por segundo’. Digo o inverso, acho que é a mentira 24 quadros por segundo. Sendo um diretor de filmes, sei como é fácil, em documentários como ‘Be Black Baby’ e ‘Hi, Mom!’, você poder manipular as imagens e as pessoas vão acreditar no que você quiser”.
“A maior tragédia que eu já presenciei é que a televisão tornou-se só comerciais de informações. A informação programada. Não há mais informação de verdade. Recebemos a informação que eles querem, é como a censura do governo sobre informações. Falam sobre a liberdade da imprensa, mas todas as agências da mídia são controladas por grandes empresas. Vemos o que elas querem que vejamos. No final das contas, foi nos anos 60 que tudo começou a ferver na América: (os 60) marcaram o início do movimento feminista, o início da liberdade política para os negros, muita música excelente, as drogas que expandiam a consciência. Foi uma época realmente fascinante e inspiradora. Muitos dos cineastas da minha geração produziram obras que tornaram-se a base do cinema americano contemporâneo. Eles foram produtos dos 60’s. Grandes artistas têm de estar no lugar certo no momento certo. Nunca perdi meu espírito 60’s”.
“Depois de montar o filme (NOTA: ‘Get to Know Your Rabbit’, seu primeiro e frustrante filme – um curta – para a major Warner Bros.), não gostaram do que havia feito, não gostaram das minha mudanças para melhorá-lo ...Então eles ‘me mandaram pra casa’. É interessante o fato de Orson Welles estar naquele filme, porque ele foi um homem que nunca descobriu como se beneficiar do sistema de estúdios. Só que uma parte de produzir filmes é a capacidade de lidar com esse sistema. Os grandes cineastas aprenderam a lidar com ele: Ford, Hitchcock ... Conseguiram trabalhar dentro do sistema e realizar suas extraordinárias visões. Não se pode simplesmente dizer: ‘Sou um artista, eles não me entendem’. Não faz sentido. É uma indústria, administrada por homens gananciosos, e você tem de fazê-los executar o que você quer. Fala-se de ‘Soberba’ (NOTA: ‘The Magnificent Ambersons’, o segundo filme de Orson Welles, rodado um ano depois de ‘Cidadão Kane’, e totalmente mutilado pelos produtores), que é um filme fantástico mas foi destruído. Onde estão as cenas cortadas de ‘Soberba’? Pode-se discutir todas as razões do mundo, eu penso no meu filme todos os dias, no meu estúpido filme curto ‘Get to Know Your Rabbit’. O fato é: a culpa é minha! Eles foram mais espertos do que eu. A mesma coisa aconteceu com Orson Welles. Enfim, meu desejo é: quero assistir a meu filme e estar satisfeito com ele. Somente por mim mesmo. Posso assiti-lo, na tela da minha televisão, e dizer: ‘Aquilo foi ideia minha, e eu a realizei. Vou ficar do lado dele’. O que está errado é o que eu errei. Não foi porque outra pessoa chegou e mudou as coisas”.
(Brian De Palma, em entrevista à TV francesa, à época do lançamento de ‘Femme Fatale’, nos extras de ‘Saudações’ – ‘Greetings’, de 1968 –, seu primeiro longa, lançado em DVD este ano pela Lume. Filho típico dos 60’s, o cineasta americano natural de Newark, New Jersey, que completa 70 anos no próximo 11 de setembro, é parte da brilhante geração que renovou o cinema americano entre o final dos anos 1960/início dos 70 – Copolla, Scorsese, Spielberg. De Palma ainda não teve lançado por aqui seu contundente ‘Redacted’, de 2007, um docudrama ambientado na Guerra do Iraque, rodado em câmeras de vídeo de alta definição, em que episódios como o estupro de uma colegial iraquiana por soldados americanos recebem tanta atenção como o olhar sobre a moderna cobertura jornalística da guerra, como farto uso do universo tecnológico – reportagens em blogs pela web, uso de parafernália digital ...)
“Comecei na época das câmeras leves, que de repente estavam seguindo as pessoas, com câmeras leves de 16 mm. Vimos o que pensávamos ser os Maysles (NOTA: os irmãos Albert e David, documentaristas, papas do “cinema direto”, diretores de ‘The Beatles: The U.S. First Visit’ e do controverso ‘Gimme Shelter’, dos Rolling Stones e ) e os sócios de Drew (NOTA: Robert Drew, documentarista americano, adepto do cinema-verdade, famoso pelo filme ‘Primary’, cobrindo as primárias do Partido Democrata ocorridas no estado de Wisconsin entre os pré-candidatos à Presidência John Kennedy e Hubert Humphrey). Estávamos vendo todos esses documentários fabulosos, dizendo: É assim que é a vida. A câmera está pegando tudo. É impressionante’. Assim, o público acreditou. É nesta época que temos a citação famosa de Godard: ‘O cinema é a verdade 24 quadros por segundo’. Digo o inverso, acho que é a mentira 24 quadros por segundo. Sendo um diretor de filmes, sei como é fácil, em documentários como ‘Be Black Baby’ e ‘Hi, Mom!’, você poder manipular as imagens e as pessoas vão acreditar no que você quiser”.
“A maior tragédia que eu já presenciei é que a televisão tornou-se só comerciais de informações. A informação programada. Não há mais informação de verdade. Recebemos a informação que eles querem, é como a censura do governo sobre informações. Falam sobre a liberdade da imprensa, mas todas as agências da mídia são controladas por grandes empresas. Vemos o que elas querem que vejamos. No final das contas, foi nos anos 60 que tudo começou a ferver na América: (os 60) marcaram o início do movimento feminista, o início da liberdade política para os negros, muita música excelente, as drogas que expandiam a consciência. Foi uma época realmente fascinante e inspiradora. Muitos dos cineastas da minha geração produziram obras que tornaram-se a base do cinema americano contemporâneo. Eles foram produtos dos 60’s. Grandes artistas têm de estar no lugar certo no momento certo. Nunca perdi meu espírito 60’s”.
“Depois de montar o filme (NOTA: ‘Get to Know Your Rabbit’, seu primeiro e frustrante filme – um curta – para a major Warner Bros.), não gostaram do que havia feito, não gostaram das minha mudanças para melhorá-lo ...Então eles ‘me mandaram pra casa’. É interessante o fato de Orson Welles estar naquele filme, porque ele foi um homem que nunca descobriu como se beneficiar do sistema de estúdios. Só que uma parte de produzir filmes é a capacidade de lidar com esse sistema. Os grandes cineastas aprenderam a lidar com ele: Ford, Hitchcock ... Conseguiram trabalhar dentro do sistema e realizar suas extraordinárias visões. Não se pode simplesmente dizer: ‘Sou um artista, eles não me entendem’. Não faz sentido. É uma indústria, administrada por homens gananciosos, e você tem de fazê-los executar o que você quer. Fala-se de ‘Soberba’ (NOTA: ‘The Magnificent Ambersons’, o segundo filme de Orson Welles, rodado um ano depois de ‘Cidadão Kane’, e totalmente mutilado pelos produtores), que é um filme fantástico mas foi destruído. Onde estão as cenas cortadas de ‘Soberba’? Pode-se discutir todas as razões do mundo, eu penso no meu filme todos os dias, no meu estúpido filme curto ‘Get to Know Your Rabbit’. O fato é: a culpa é minha! Eles foram mais espertos do que eu. A mesma coisa aconteceu com Orson Welles. Enfim, meu desejo é: quero assistir a meu filme e estar satisfeito com ele. Somente por mim mesmo. Posso assiti-lo, na tela da minha televisão, e dizer: ‘Aquilo foi ideia minha, e eu a realizei. Vou ficar do lado dele’. O que está errado é o que eu errei. Não foi porque outra pessoa chegou e mudou as coisas”.
(Brian De Palma, em entrevista à TV francesa, à época do lançamento de ‘Femme Fatale’, nos extras de ‘Saudações’ – ‘Greetings’, de 1968 –, seu primeiro longa, lançado em DVD este ano pela Lume. Filho típico dos 60’s, o cineasta americano natural de Newark, New Jersey, que completa 70 anos no próximo 11 de setembro, é parte da brilhante geração que renovou o cinema americano entre o final dos anos 1960/início dos 70 – Copolla, Scorsese, Spielberg. De Palma ainda não teve lançado por aqui seu contundente ‘Redacted’, de 2007, um docudrama ambientado na Guerra do Iraque, rodado em câmeras de vídeo de alta definição, em que episódios como o estupro de uma colegial iraquiana por soldados americanos recebem tanta atenção como o olhar sobre a moderna cobertura jornalística da guerra, como farto uso do universo tecnológico – reportagens em blogs pela web, uso de parafernália digital ...)
Pitacos de filosofia no pop (1)
“A prova de que você deve ter bons discos pra fazer bons discos”.
(James Wirth, resenhista britânico, em uma edição antiga – 1996 – do tradicional Rough Guide of Rock, falando sobre os escoceses do BMX Bandits, embrião do Teenage Fanclub – que, a propósito, está de volta com novo disco, ‘Shadows’, mais uma vez mostrando a diferença que faz uma discoteca informada em casa. Tão fundamental quanto simples, tal verdade não transparece na audição da maioria das bandas de rock brasileiras. E gaúchas.)
(James Wirth, resenhista britânico, em uma edição antiga – 1996 – do tradicional Rough Guide of Rock, falando sobre os escoceses do BMX Bandits, embrião do Teenage Fanclub – que, a propósito, está de volta com novo disco, ‘Shadows’, mais uma vez mostrando a diferença que faz uma discoteca informada em casa. Tão fundamental quanto simples, tal verdade não transparece na audição da maioria das bandas de rock brasileiras. E gaúchas.)
A morte das gravadoras
O novo e ótimo álbum dos canadenses do Arcade Fire (excelente show em POA em 2005, abrindo pros Strokes no que seria o Pepsi On Stage), ‘The Suburbs’, já estreou em primeiro lugar na parada da Billboard. Vendeu 156.000 cópias só na primeira semana, atingindo um resulatado bem melhor que o anterior, o incensado ‘Neon Bible’ (2007), que quando foi lançando foi adquirido por 92.000 satisfeitos fãs. Desses 156.000 compradores, nada menos que 97.000 adquiriram a obra através de download, pagando apenas U$ 3,99 (!!!!!). Laura Ballance, baixista do Superchunk e uma das proprietárias do excelente selo Merge Records, casa do Arcade e do próprio Superchunk (além de Lambchop, Spoon, Magnetic Fields ...) justifica a bagatela cobrada: “Desvalorizar a música é algo que me preocupa bastante ... Mas é difícil traçar uma linha divisória aí. A essa altura, as pessoas podem fazer o download de graça se elas realmente quiserem. Se você está tentando fazer com que as pessoas comprem música, pessoas que não o fariam de outra maneira, talvez esse seja o jeito. Fazer tão barato que acabe por reequilibrar a balança”.
Enquanto isso, no universo das majors, os tubarões da indústria debatem-se tentando descobrir de que maneira tentarão retomar o controle absoluto que tinham sobre o comércio da música, perdido nos últimos dez anos pro libertário universo virtual.
Não vão. A revolução veio e ficou, esta é a realidade. Bem feito pras grandes corporações. Die, die, motherfuckers!
Enquanto isso, no universo das majors, os tubarões da indústria debatem-se tentando descobrir de que maneira tentarão retomar o controle absoluto que tinham sobre o comércio da música, perdido nos últimos dez anos pro libertário universo virtual.
Não vão. A revolução veio e ficou, esta é a realidade. Bem feito pras grandes corporações. Die, die, motherfuckers!
O baixinho do Simply Red, não, Ronnie, por favor!
Os Faces foram uma das melhores bandas da história do rock de todos os tempos, sem qualquer sombra de dúvida. Tinham tudo o que uma verdadeira banda tem de ter: agressividade, malícia, peso, suíngue, vocalista carismático e de voz rouca e potente, dois guitarristas afiados, cozinha segura, mix de r’n’b barulhento e a melhor soul music, que influenciou até os Stones e mesmo os Pistols (como admitido pelos próprios), além de ter ajudado a forjar o som dos Black Crowes (“ajudar” é generosidade nossa). Só terminaram quando os Stones convocaram Ronnie Wood para substituir o demissionário Mick Taylor – e por essa época Rod Stewart já engendrava sua carreira muitíssimo bem-sucedida (em termos comerciais, é claro).
Well, os Faces resolveram reunir-se mais uma vez, para uma tour pelo Reino Unido. O pontapé inicial foi no Da formação original, apenas Ronnie, o baterista Kenney Jones (que tocaria no The Who após a morte de Keith Moon) e o tecladista Ian McLagen. Na guitarra que foi de Steve Marriott agora está o filho de Ronnie, Jessie, e no baixo, o enjeitado ex-baixista dos Pistols, Glen Matlock. Quanto aos vocais, ... bem, Rod decidiu não participar desse comeback, mais interessado que está nos seus banais discos de covers do cancioneiro popular americano. E então Ronnie e comparsas optaram por convocar ... Mick Hucknall. Sim, ele mesmo, o ruivinho enjoado vocalista do não menos enjoado Simply Red.
O SR e seu cantor baixinho têm lá seus fãs por aqui, e CM, impregnada que é de espírito democrático e libertário, respeita todas as posições contrárias à sua. Mas concorda com a piadinha contida no final de ‘A Festa Nunca Termina’ . E completa: bandas e artistas pop oitentistas que prestavam tributo à melhor soul music americana e iam além, havia várias – Prefab Sprout, Dexy’s Midnight Runners, Scritti Politti, Elvis Costelo ... Entre essas, não está o Simply Red.
Que bola fora, Ronnie.
Well, os Faces resolveram reunir-se mais uma vez, para uma tour pelo Reino Unido. O pontapé inicial foi no Da formação original, apenas Ronnie, o baterista Kenney Jones (que tocaria no The Who após a morte de Keith Moon) e o tecladista Ian McLagen. Na guitarra que foi de Steve Marriott agora está o filho de Ronnie, Jessie, e no baixo, o enjeitado ex-baixista dos Pistols, Glen Matlock. Quanto aos vocais, ... bem, Rod decidiu não participar desse comeback, mais interessado que está nos seus banais discos de covers do cancioneiro popular americano. E então Ronnie e comparsas optaram por convocar ... Mick Hucknall. Sim, ele mesmo, o ruivinho enjoado vocalista do não menos enjoado Simply Red.
O SR e seu cantor baixinho têm lá seus fãs por aqui, e CM, impregnada que é de espírito democrático e libertário, respeita todas as posições contrárias à sua. Mas concorda com a piadinha contida no final de ‘A Festa Nunca Termina’ . E completa: bandas e artistas pop oitentistas que prestavam tributo à melhor soul music americana e iam além, havia várias – Prefab Sprout, Dexy’s Midnight Runners, Scritti Politti, Elvis Costelo ... Entre essas, não está o Simply Red.
Que bola fora, Ronnie.
Tá, mas a gente vai lá só pra beber ou ouvir rock também?
O último Rock In Rio realizado na cidade que lhe dá nome foi o terceiro, e lá se vão quase dez anos. Foi em 2001, e trouxe Foo Fighters, a falecida Cássia Eller (puxando o saco da audiência e de Dave Grohl cantando ‘Smells Like Teen Spirit’), Beck, Queens Of The Stone Age (com Nick Olivieri peladão, vítima da demagogia local, indo dar explicações na delegacia), Sepultura, R.E.M., Red Hot Chili Peppers (chocho pra cacete), Neil Young & Crazy Horse (nada menos que destruidor) e aquela malfadada noite com os fraudulentos Oasis e Guns ‘N’ Roses e seu público jeca cobrindo de garrafas d’água um deslocado e inconveniente Carlinhos Brown – repetindo o que já acontecera nas edições anteriores com Baby & Pepeu e Erasmo Carlos no primeiro, em 1985, e com Lobão em 1991, todos vítimas da fúria metaleira.
Pois agora, Roberto Medina, com aquele mesmo cabelinho escovado e puxado pra trás, tá anunciando a volta do festival à cidade maravilhosa pro ano que vem. Vai rolar nos dias 23, 24, 25 e 30 de setembro, e 1º e 2 de novembro. O vídeo oficial já foi gravado, com uma nova versão daquela musiquinha xarope, agora entoada por figuras como Dinho Ouro Preto, Pitty, Rogério Flausino, Tico Santa Cruz e Ivete Sangalo. Quanto aos artistas que se apresentarão no evento, Medina não confirma ninguém, mas diz que seu sonho é Ter Shakira e Lady Gaga.
A pergunta que insiste em não calar é desnecessária de tão óbvia, mas CM insiste, mesmo assim: o que é que o rock tem a ver com isso?
Pois agora, Roberto Medina, com aquele mesmo cabelinho escovado e puxado pra trás, tá anunciando a volta do festival à cidade maravilhosa pro ano que vem. Vai rolar nos dias 23, 24, 25 e 30 de setembro, e 1º e 2 de novembro. O vídeo oficial já foi gravado, com uma nova versão daquela musiquinha xarope, agora entoada por figuras como Dinho Ouro Preto, Pitty, Rogério Flausino, Tico Santa Cruz e Ivete Sangalo. Quanto aos artistas que se apresentarão no evento, Medina não confirma ninguém, mas diz que seu sonho é Ter Shakira e Lady Gaga.
A pergunta que insiste em não calar é desnecessária de tão óbvia, mas CM insiste, mesmo assim: o que é que o rock tem a ver com isso?
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (45)
Sorry, moçada. O playlist do penúltimo programa só vai hoje, com quase uma semana de atraso. Sorry again: neste sábado, 14, também não vai ter programa, pois acontece a cerimônia de encerramento do Festival de Gramado. Mas no próximo, tem especial, um programa inteirinho dedicado aos 'cowpunks' originais, os Meat Puppets, ainda hoje na ativa, mas só com as gravações clássicas dos anos 1980. Enjoy.
1º bloco:
16 HORSEPOWER – South Pennsylvania Waltz
Banda formada em 1992 em Denver, no Colorado, um dos baluartes do chamado ‘alt country’ (o country alternativo), veículo de David Eugene Edwards, cantor, compositor e múlti-instrumentista (ele toca guitarra, banjo e bandoneon), que também tem outro projeto muito bacana chamado Woven Hand, que a gente mostra num dos próximos programas. Edwards é filho de um pastor e a religiosidade do pai o influenciou de maneira decisiva: as letras do 16 Horsepower são carregadas de imagens cristãs e temas como culpa e redenção – ao estilo de Nick Cave, de quem Edwards é fã confesso. Além das referências da música americana de raiz (country, folk, bluegrass), o som do grupo também tinha forte apelo do rock gótico, em especial Joy Division e Gun Club (de quem regravou a clássica ‘Fire Spirit’), o que lhe valeu a fama de Ter criado um novo gênero, o ‘gothic americana’. Por “diferenças pessoais, espirituais e políticas”, a banda se separou em 2005. Deixou um E.P., dois álbuns ao vivo, quatro discos de carreira e uma coletânea excelente chamada ‘Olden’ (2003), com versões nunca lançadas de canções antigas.
BEACHWOOD SPARKS – Confusion is Nothing New
Grupo de Los Angeles, claramente influenciado pelo country rock psicodélico sessentista de Byrds, Love e Buffalo Springfield, formado em 1997, encerrou as atividades em 2002, mas voltou à ativa em 2008. Tem como figuras centrais o baixista Brent Rademaker, que também tem uma outra banda muito legal, chamada The Tyde, e o cantor e guitarrista Chris Gunst, ex-Strickly Ballroom – os dois integravam antes um grupo chamado Further. O Beachwood Sparks tem dois elogiados álbuns, sendo que o primeiro, homônimo, lançado em 2000, tem uma sonoridade mais mais rock, enquanto que o segundo, ‘Once We Were Trees’ (2001), é mais viajandão, tem uma sonoridade mais ‘spacey’ – não por acaso um resenhista definiu o som dos caras como “cosmic country-pop”. Atualmente, os caras trabalham em um novo disco.
UNCLE TUPELO – Gun
Talvez a mais mítica dessas bandas de country alternativo, não só por ter sido uma das primeiras a fundir a fúria punk à música caipira americana, mas também por contar com dois carismáticos cantores/guitarristas/compositores que formaram outras duas bandas que deram o que falar depois: Jeff Tweedey é o líder do incensado Wilco, enquanto que Jay Farrar é o cabeça do Son Volt. O Uncle Tupelo, que tirou seu nome de uma clássica canção gospel, durou apenas 7 anos, deixou quatro cultuados álbuns, incluindo o clássico ‘No Depression’ (1990), cujo título virou sinônimo de artistas de rock alternativo que se voltam para as raízes da música americana, e ‘March 16-20, 1992’, gravado ao vivo em estúdio pelo guitarrista do R.E.M., Peter Buck. Mas o disco que talvez melhor traduza esse mix Hank Williams/Leadbelly/Replacements/Hüsker Dü do grupo seja o segundo, ‘Steel Feel Gone’, de 1991. Com o estremecimento das relações entre Tweedy e Farrar, o UT encerrou as atividades em 1994, com o primeiro levando o baterista original, Mike Heidorn, para o Wilco, e o segundo o seu substituto, Ken Coomer, e os múlti-instrumentistas John Stirratt e Max Johnson para o Son Volt.
2º bloco:
PANDA BEAR – Slow Motion
Incensado projeto do prolífico Noah Lennox, também fundador do quentíssimo Animal Collective e integrante de outros grupos como Jane e Together. O PB faz som eminentemente eletrônico, de referências múltiplas e variadas, e Noah se vira em várias funções: além de ser o cantor de peculiar timbre de voz (começou cantando em corais de igreja nos tempos de colégio), pilota teclados, samplers, toca guitarra e até bateria – na turnê mais recente do Animal Collectvie, era ele o percussionista (se diz influenciado por Stewart Copeland, do Police). O Panda Bear tem três álbuns, sendo que o mais recente, ‘Person Pitch’, de 2007, foi eleito disco do ano pelo site Pitchfork. O novo single, ‘Tomboy’, saiu este mês.
HOW TO DESTROY ANGELS – A Drowning
Nova banda do atormentado Trent Reznor, que deu férias por tempo indeterminado para o Nine Inch Nails ano passado, depois de 20 anos de atividades. O How To Destroy Angles, que tirou seu nome de um single do Coil lançado em 1984, tem ainda a cantora indiana Mariqueen Maandig, mulher de Trent, e o múlti-instrumentista e produtor Atticus Ross, velho colaborador do NIN, e é um projeto novíssimo: iniciou pouco tempo depois do último show do Nine Inch Nails, em setembro de 2009. Segundo os mais rigorosos, trata-se de um Nine Inch Nails com uma mulher no vocal, pois o grupo também faz um rock eletrônico denso, que tem referências que vão do som industrial ao trip-hop, do som gótico à IDM, mas a presença de Mariqueen, que contribui para uma atmosfera mais sensual e onírica, faz toda a diferença. Todo o material lançado pela banda é deste ano: um E.P homônimo de 6 faixas, o single ‘A Drowning’, colocado na rede para free download, o vídeo de ‘True Believers’ e a faixa ‘The Believers’, disponível num iPad lançado pela revista Wired.
FLYING LOTUS – Mmmhmm
Codinome de um cidadão californiano de Los Angeles chamado Steven Ellison, 26 anos, que fez fama com o tema da animação ‘Adult Swim’, do Cartoon Network, e desde então vem fazendo música eletrônica experimental, com uma penca de referências bacanas: hip-hock, jazz, trilhas de filmes blaxploitation, techno, house, drum’n’bass, IDM ... Ellison geralmente faz a música no seu laptop, manipula tapes e toca-discos, mas no mais recente, ‘Cosmogramma’, lançado em maio deste ano, há também a colaboração de músicos, responsáveis por guitarras, baixos, instrumentos de sopro, cellos, violinos e até harpa. Curiosidade: Ellison é sobrinho de Alice Coltrane, grande compositora e pianista do jazz e viúva do mestre John Coltrane.
3º bloco: LYDIA LUNCH – ‘Queen of Siam’ (1980)
Lydia Koch, 51 anos (nascida em 2 de junho de 1959 em Rochester, Nova Iorque), é uma das personagens mais sui generis da música americana das últimas três décadas: começou fazendo parte da barulhenta cena no wave novaiorquina, gravou um disco com influência do jazz e do pop sessentista, passou a gravar discos apenas falados, atuou em e dirigiu filmes underground, sempre mantendo a postura feroz, provocativa, anti-comercial e niilista. Também teve sua vida marcada pelo uso abusivo de drogas pesadas, em especial a heroína.
Lydia chegou à big apple aos 16 anos, e logo passou a viver em uma comunidade de artistas, onde recebeu seu nome de guerra: como ela tinha o hábito de roubar os almoços dos outros, passaram a chamá-la “Lydia Lunch”. E foi depois de um show do Suicide, no lendário Max’s Kansas City, que decidiu abraçar a carreira musical, formando o Teenage Jesus & The Jerks, grupo noise do qual fazia parte também o saxofonista James Chance. O Teenage e os Contortions, a banda liderada por Chance, fariam parte do clássico álbum-manifesto ‘No Wave’, produzido por Brian Eno, lançado em 1978, e que contava também com o DNA de Arto Lindsay e um grupo chamado Mars. No mesmo ano, Lydia também participou do disco de estreia dos Contortions, ‘Off White’, usando o pseudônimo “Stella Rico”, e também atuou no filme ‘Black Box’, curta-metragem dirigido pelo casal de cineastas indie Scott e Beth B, no qual fazia o papel de uma torturadora. Na sequência, viriam outras participações em filmes underground, sendo o mais notório deles ‘Fingered’, de Richard Kern, em que faz cenas de sexo explícito. Alguns dos filmes dos quais participou ele mesmo escreveu e dirigiu.
‘Queen of Siam’, seu álbum de estreia solo, foi gravado em Nova Iorque em 1979 com arranjos do craque Billy VerPlanck, lendário trombonista e arranjador que trabalhou com big bands famosas como a de Tommy Dorsey, e lançado um ano depois. Tinha também o não menos lendário Robert Quine, e-guitarrista de Richard Hell e Lou Reed, e a própria Lydia, além de cantar suas composisções e versões de clássicos como a lúgubre ‘Gloomy Sunday’ e a solar ‘Spooky’, também faz solos de guitarra em duas faixas. O álbum saiu pelo selo Triple X e foi reeditado em CD ano passado pela gravadora Chery Red. Como todos os trabalhos de Lydia, apesar de elogiado, pouca repercussão teve em termos de vendas.
Dois anos depois, a rainha das trevas da cena novaiorquina lançaria ‘13.13’ com o auxílio de integrantes dos Weirdos, e uma série de colaborações viria, com gente como o Birthday Party de Nick Cave, os alemães experimentais do Die Haut, o Sonic Youth, os alemães nervosos do Einsturzende Neubauten, o maluco Michael Gira, ex- Swans, entre outros. Nos anos 1990, teve um grupo de curtíssima duração com Kim Gordon (Sonic Youth) chamado Harry Crews, homenagem ao escritor cult americano, e seguiu lançando seus discos apenas falados – faceta que dominou sua obra principalmente na primeira metade da década de 2000 –, com parcerias que vão desde sua amiga Exene Cervenka (ex-vocalista do X) ao romancista que deu voz ao submundo novaiorquino, Hubert Selby Jr. (de ‘Réquiem para Um Sonho’ e ‘Última Saída para o Brooklyn’). Sua carreira literária tem resultados controversos, segundo os resenhistas. Em 1997, publicou sua autobiografia, ‘Paradoxia’, em que abordava sem rodeios sua infância, a agitada vida sexual, o uso abusivo de drogas e também seus problemas psíquicos. Seu último disco é do ano passado, ‘Big Sexy Noise’, do grupo homônimo que mantém com James Johnston, Terry Edwards e Ian White.
Mechanical Flattery
Gloomy Sunday
Spooky
Atomic Bongos
Lady Scarface
1º bloco:
16 HORSEPOWER – South Pennsylvania Waltz
Banda formada em 1992 em Denver, no Colorado, um dos baluartes do chamado ‘alt country’ (o country alternativo), veículo de David Eugene Edwards, cantor, compositor e múlti-instrumentista (ele toca guitarra, banjo e bandoneon), que também tem outro projeto muito bacana chamado Woven Hand, que a gente mostra num dos próximos programas. Edwards é filho de um pastor e a religiosidade do pai o influenciou de maneira decisiva: as letras do 16 Horsepower são carregadas de imagens cristãs e temas como culpa e redenção – ao estilo de Nick Cave, de quem Edwards é fã confesso. Além das referências da música americana de raiz (country, folk, bluegrass), o som do grupo também tinha forte apelo do rock gótico, em especial Joy Division e Gun Club (de quem regravou a clássica ‘Fire Spirit’), o que lhe valeu a fama de Ter criado um novo gênero, o ‘gothic americana’. Por “diferenças pessoais, espirituais e políticas”, a banda se separou em 2005. Deixou um E.P., dois álbuns ao vivo, quatro discos de carreira e uma coletânea excelente chamada ‘Olden’ (2003), com versões nunca lançadas de canções antigas.
BEACHWOOD SPARKS – Confusion is Nothing New
Grupo de Los Angeles, claramente influenciado pelo country rock psicodélico sessentista de Byrds, Love e Buffalo Springfield, formado em 1997, encerrou as atividades em 2002, mas voltou à ativa em 2008. Tem como figuras centrais o baixista Brent Rademaker, que também tem uma outra banda muito legal, chamada The Tyde, e o cantor e guitarrista Chris Gunst, ex-Strickly Ballroom – os dois integravam antes um grupo chamado Further. O Beachwood Sparks tem dois elogiados álbuns, sendo que o primeiro, homônimo, lançado em 2000, tem uma sonoridade mais mais rock, enquanto que o segundo, ‘Once We Were Trees’ (2001), é mais viajandão, tem uma sonoridade mais ‘spacey’ – não por acaso um resenhista definiu o som dos caras como “cosmic country-pop”. Atualmente, os caras trabalham em um novo disco.
UNCLE TUPELO – Gun
Talvez a mais mítica dessas bandas de country alternativo, não só por ter sido uma das primeiras a fundir a fúria punk à música caipira americana, mas também por contar com dois carismáticos cantores/guitarristas/compositores que formaram outras duas bandas que deram o que falar depois: Jeff Tweedey é o líder do incensado Wilco, enquanto que Jay Farrar é o cabeça do Son Volt. O Uncle Tupelo, que tirou seu nome de uma clássica canção gospel, durou apenas 7 anos, deixou quatro cultuados álbuns, incluindo o clássico ‘No Depression’ (1990), cujo título virou sinônimo de artistas de rock alternativo que se voltam para as raízes da música americana, e ‘March 16-20, 1992’, gravado ao vivo em estúdio pelo guitarrista do R.E.M., Peter Buck. Mas o disco que talvez melhor traduza esse mix Hank Williams/Leadbelly/Replacements/Hüsker Dü do grupo seja o segundo, ‘Steel Feel Gone’, de 1991. Com o estremecimento das relações entre Tweedy e Farrar, o UT encerrou as atividades em 1994, com o primeiro levando o baterista original, Mike Heidorn, para o Wilco, e o segundo o seu substituto, Ken Coomer, e os múlti-instrumentistas John Stirratt e Max Johnson para o Son Volt.
2º bloco:
PANDA BEAR – Slow Motion
Incensado projeto do prolífico Noah Lennox, também fundador do quentíssimo Animal Collective e integrante de outros grupos como Jane e Together. O PB faz som eminentemente eletrônico, de referências múltiplas e variadas, e Noah se vira em várias funções: além de ser o cantor de peculiar timbre de voz (começou cantando em corais de igreja nos tempos de colégio), pilota teclados, samplers, toca guitarra e até bateria – na turnê mais recente do Animal Collectvie, era ele o percussionista (se diz influenciado por Stewart Copeland, do Police). O Panda Bear tem três álbuns, sendo que o mais recente, ‘Person Pitch’, de 2007, foi eleito disco do ano pelo site Pitchfork. O novo single, ‘Tomboy’, saiu este mês.
HOW TO DESTROY ANGELS – A Drowning
Nova banda do atormentado Trent Reznor, que deu férias por tempo indeterminado para o Nine Inch Nails ano passado, depois de 20 anos de atividades. O How To Destroy Angles, que tirou seu nome de um single do Coil lançado em 1984, tem ainda a cantora indiana Mariqueen Maandig, mulher de Trent, e o múlti-instrumentista e produtor Atticus Ross, velho colaborador do NIN, e é um projeto novíssimo: iniciou pouco tempo depois do último show do Nine Inch Nails, em setembro de 2009. Segundo os mais rigorosos, trata-se de um Nine Inch Nails com uma mulher no vocal, pois o grupo também faz um rock eletrônico denso, que tem referências que vão do som industrial ao trip-hop, do som gótico à IDM, mas a presença de Mariqueen, que contribui para uma atmosfera mais sensual e onírica, faz toda a diferença. Todo o material lançado pela banda é deste ano: um E.P homônimo de 6 faixas, o single ‘A Drowning’, colocado na rede para free download, o vídeo de ‘True Believers’ e a faixa ‘The Believers’, disponível num iPad lançado pela revista Wired.
FLYING LOTUS – Mmmhmm
Codinome de um cidadão californiano de Los Angeles chamado Steven Ellison, 26 anos, que fez fama com o tema da animação ‘Adult Swim’, do Cartoon Network, e desde então vem fazendo música eletrônica experimental, com uma penca de referências bacanas: hip-hock, jazz, trilhas de filmes blaxploitation, techno, house, drum’n’bass, IDM ... Ellison geralmente faz a música no seu laptop, manipula tapes e toca-discos, mas no mais recente, ‘Cosmogramma’, lançado em maio deste ano, há também a colaboração de músicos, responsáveis por guitarras, baixos, instrumentos de sopro, cellos, violinos e até harpa. Curiosidade: Ellison é sobrinho de Alice Coltrane, grande compositora e pianista do jazz e viúva do mestre John Coltrane.
3º bloco: LYDIA LUNCH – ‘Queen of Siam’ (1980)
Lydia Koch, 51 anos (nascida em 2 de junho de 1959 em Rochester, Nova Iorque), é uma das personagens mais sui generis da música americana das últimas três décadas: começou fazendo parte da barulhenta cena no wave novaiorquina, gravou um disco com influência do jazz e do pop sessentista, passou a gravar discos apenas falados, atuou em e dirigiu filmes underground, sempre mantendo a postura feroz, provocativa, anti-comercial e niilista. Também teve sua vida marcada pelo uso abusivo de drogas pesadas, em especial a heroína.
Lydia chegou à big apple aos 16 anos, e logo passou a viver em uma comunidade de artistas, onde recebeu seu nome de guerra: como ela tinha o hábito de roubar os almoços dos outros, passaram a chamá-la “Lydia Lunch”. E foi depois de um show do Suicide, no lendário Max’s Kansas City, que decidiu abraçar a carreira musical, formando o Teenage Jesus & The Jerks, grupo noise do qual fazia parte também o saxofonista James Chance. O Teenage e os Contortions, a banda liderada por Chance, fariam parte do clássico álbum-manifesto ‘No Wave’, produzido por Brian Eno, lançado em 1978, e que contava também com o DNA de Arto Lindsay e um grupo chamado Mars. No mesmo ano, Lydia também participou do disco de estreia dos Contortions, ‘Off White’, usando o pseudônimo “Stella Rico”, e também atuou no filme ‘Black Box’, curta-metragem dirigido pelo casal de cineastas indie Scott e Beth B, no qual fazia o papel de uma torturadora. Na sequência, viriam outras participações em filmes underground, sendo o mais notório deles ‘Fingered’, de Richard Kern, em que faz cenas de sexo explícito. Alguns dos filmes dos quais participou ele mesmo escreveu e dirigiu.
‘Queen of Siam’, seu álbum de estreia solo, foi gravado em Nova Iorque em 1979 com arranjos do craque Billy VerPlanck, lendário trombonista e arranjador que trabalhou com big bands famosas como a de Tommy Dorsey, e lançado um ano depois. Tinha também o não menos lendário Robert Quine, e-guitarrista de Richard Hell e Lou Reed, e a própria Lydia, além de cantar suas composisções e versões de clássicos como a lúgubre ‘Gloomy Sunday’ e a solar ‘Spooky’, também faz solos de guitarra em duas faixas. O álbum saiu pelo selo Triple X e foi reeditado em CD ano passado pela gravadora Chery Red. Como todos os trabalhos de Lydia, apesar de elogiado, pouca repercussão teve em termos de vendas.
Dois anos depois, a rainha das trevas da cena novaiorquina lançaria ‘13.13’ com o auxílio de integrantes dos Weirdos, e uma série de colaborações viria, com gente como o Birthday Party de Nick Cave, os alemães experimentais do Die Haut, o Sonic Youth, os alemães nervosos do Einsturzende Neubauten, o maluco Michael Gira, ex- Swans, entre outros. Nos anos 1990, teve um grupo de curtíssima duração com Kim Gordon (Sonic Youth) chamado Harry Crews, homenagem ao escritor cult americano, e seguiu lançando seus discos apenas falados – faceta que dominou sua obra principalmente na primeira metade da década de 2000 –, com parcerias que vão desde sua amiga Exene Cervenka (ex-vocalista do X) ao romancista que deu voz ao submundo novaiorquino, Hubert Selby Jr. (de ‘Réquiem para Um Sonho’ e ‘Última Saída para o Brooklyn’). Sua carreira literária tem resultados controversos, segundo os resenhistas. Em 1997, publicou sua autobiografia, ‘Paradoxia’, em que abordava sem rodeios sua infância, a agitada vida sexual, o uso abusivo de drogas e também seus problemas psíquicos. Seu último disco é do ano passado, ‘Big Sexy Noise’, do grupo homônimo que mantém com James Johnston, Terry Edwards e Ian White.
Mechanical Flattery
Gloomy Sunday
Spooky
Atomic Bongos
Lady Scarface
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