Com atraso - problemas 'técnicos' e puro vacilo, mesmo -, vai aí o playlist do que tocou no último sábado, 26, no nosso 40o (!!!!!) programa. Sorry, moçada - mas fiquem ligados que no próxim tem um especial cascudo do Sonic Youth!
1º bloco:
JESSE MALIN & THE ST. MARK’S PLACE – Burning the Bowery
Novaiorquino do Queens, 42 anos, ex-vocalista do hardcore Heart Attack (na adolescência) e do giltter D Generation, desde 2001 em carreira-solo, gravando discos em que a tônica é o mix do som indie com as raízes da música americana – o folk, o blues, o country –, com fartas referências a Bob Dylan, Lou Reed, Neil Young e a seu ídolo Bruce Springsteen. Jesse já pintou por aqui no CM com uma faixa de seu excelente disco de estreia, ‘The Fine Art of Sel-Destruction’ (2003, produzido pelo ex-Whiskeytown Ryan Adams), vem de um álbum de covers e outro ao vivo, lançados em 2008, e há pouco lançou ‘Love It to Life’, tendo como banda de apoio o St. Mark’s Social, grupo que descobriu ano passado.
BAND OF HORSES – On My Way Back Home
Americanos de Seattle, Washington, na estrada desde 2004, já com três álbuns no currículo, os dois primeiros pelo selo Sub Pop, uma das glórias da cidade, e o mais recente, o recém-lançado ‘Infinite Army’, pela Fat Possum Records. O som é um mix de power pop com folk, country, harmonias vocais à Beach Boys ... Ou dseja, som indie com sabor de country rock californiano sessentista. Os múlti-instrumentistas Ben Bridwell e Mat Brooke são os sócios-fundadores do grupo, que agora é um quinteto, com todos colaborando nas composições.
BLITZEN TRAPPER – Heaven and Earth
Também americanos, do noroeste, ali pertinho de Seattle – de Portland, Oregon, lar do cineasta Gus Van sant e um celeiro de bandas indie super bacanas há pelo menos uns vinte anos. O BT também tem influência do country e do folk (Neil Young, em especial), mas igualmente do som lo-fi dos anos 1990 e do art rock dos 1970’s. Eric Earley, cantor e compositor, é o líder do grupo, na ativa já há 10 anos, e que antes de assinar com a Sub Pop em 2008 lançou trÊs discos às próprias custas. O trabalho mais recente, o quinto, é ‘Destroyer of the Void’, lançado há pouco.
2º bloco:
JESUS AND MARY CHAIN – Some Candy Talking
Patrimônio do som indie de todos os tempos e mesmo da história do rock, responsável por um dos álbuns mais barulhentos que já se ouviu – prestes a completar 25 anos de lançamento –, passou por Porto Alegre há exatos 20 anos, deixando um zunido insistente nos tímpanos de quem esteve presente à sua performance no Salão de Atos da Reitoria da UFRGS. Havia pendurado as chuteiras em 1999, depois de 15 anos de estrada, muitos excessos e brigas dos irmãos Reid, Jim e William, mas a partir de uma bem-sucedida apresentação no Festival Coachella, em 2007 – com direito a participação de Scarlett Johansen –, os irmãos resolveram reatar a parceria, e um disco novo é esperado para breve. Entre a dissolução e a volta, os álbuns de carreira foram relançados, coletâneas e um caprichado box set foi colocado no mercado, dando aos velhos e novos fãs a chance de curtir velhos clássicos, como ‘Some Candy Talking’, single lançado em 1986, um ano após o álbum de estreia, e a última gravação com o line-up original, tendo Douglas Hart no baixo e o dono do Priaml Scream, Bobby Gillespie, martelando um kit de bateria tão econômico quanto o de Moe Tucker no Velvet Underground.
THE PASTELS – Unfair Kind of Fame
Conterrâneos – também são escoceses de Glagow – e contemporâneos – na verdade, são até mais antigos, estão na ativa desde 1982 – do Jesus, embora jamais tenham interrompido a carreira, não têm nem dez discos no currículo, pois lançam seus trabalhos com longos intervalos entre um e outro. Stephen Pastel, o líder, cantor, compositor e guitarrista, é o cara que fez a coisa acontecer na cena pop de meados dos anos 1980 na Escócia: seu lendário selo 53rd & 3rd lançou, entre várias bandas importantes, sobretudo da famosa ‘class of 86’, os Shop Assistants, o BMX Bandits (embrião do Teenage Fanclub), os Vaselines e até o próprio Jesus And Mary Chain. A música simples, despojada, preguiçosa, mas emotiva e com boas melodias, foi então apelidada pela imprensa britânica de “shambling pop”, e os Pastels eram chamados de “anorak” band (anoraks são aquelas blusas de gola longa, tipo “cacharrel”, baratas e muito usadas pelo pessoal da época). O álbum mais recente dos Pastels é ‘Two Sunsets’, do ano passado, recém o segundo lançado nos anos 2000. A banda teve grandes momentos nos anos 1980 e 1990, e o E.P. ‘Unfair Kind of Fame’, de 1997, é um deles.
WE’VE GOT A FUZBOXX (AND WE’RE GONNA USE IT) – XXX Sex
O “Jesus And Mary Chain de saias”, quarteto feminino inglês de Birmingham, durou apenas cinco anos (1985 a 1990), mas resolevu voltar este ano. As meninas era muito jovens quando gravaram o primeiro single, ‘XXX Sex’, em 1986 – a vocalista e violinista Vix não tinha 18 anos completos –, e deixaram dois álbuns. A propósito do nome da banda, a escolha deu-se a partir da frase pronunciada de maneira radiante pela múlti-instrumentista e também vocalista Maggie Dunne quando as garotas compraram seu primeiro pedal de distorção: “Nós temos um fuzzbox e vamos usá-lo!”.
THAT PETROL EMOTION – Can’t Stop
Contemporâneos do Jesus, dos Pastels e do Fuxxbos, só que irlandeses de Derry, deram o pontapé inicial em 1984, embora seus fundadores, os irmãos Sean (guitarra) e Damian O’Neil (baixo) já fossem veteranos: foram antes integrantes dos clássicos Undertones, a mais importante banda do punk irlandês (e que já foi atração do CM, naturalmente). O TPE fazia um rock igualmente energético, barulhento e politizado, com boas melodias e baseado no contraponto das duas guitarras. Tinha o atlético americano Seteve Mack como seu frontman e deixou apenas cinco discos, sendo o mais marcante deles o primeiro, ‘Manic Pop Thrill’, de 1986.
3º bloco: BRIAN ENO – ‘Here Come the Warm Jets’ (1974)
Um dos poucos caras na história da música pop e do rock que pode efetivamente ser chamado de gênio, cuja influência é incalculável não apenas por trafegar por vários estilos – antecipando alguns, inclusive –, mas principalmente por mudar a maneira como a música é percebida. Brian Eno, auto-intitulado ‘não músico’ (pra ele, sempre mais interessou a textura sonora do que as demonostrações de técnica), pioneiro da ‘ambient music’, artista múlti-mídia, um dos caras que primeiro e melhor fizeram a fusão de ritmos étnicos com o rock e o pop, produtor de discos marcantes do U2, David Bowie, Talking Heads, Laurie Anderson, Coldplay e outros, é verbete incontestável da música contemporânea.
Brian Peter George St. Baptiste de la Salle Eno, inglês de Woodbridge, nascido em 15 de maio de 1948, estudou arte na escola, tendo como inspiração inicial a pintura minimalista. Começou a utilizar um gravador como intrumento musical, inspirado em uma obra do compositor Steve Reich chamada ‘It’s Gonna Rain’, que era justamente uma “orquestra de tapes”. LaMonte Young, Terry Reilly e John Cage eram outras de suas referências, assim como as músicas que ouvia no rádio quando criança – o doo wop e os primódios do rock americano dos anos 1950, que conheceu ouvindo a rádio do exército americano, que tinha uma base na área rural de Suffolk, onde viviam Eno e sua família. Eno descreve essa música que ouvia na infância como “de marte”. Encorajado pelo pintor Tom Philips, seu professor no St. Joseph’s College, entrou na Scratch Orchestra de Cornelius Cardew, quando fez suas primeiras gravações. Daí para o rock ...
Eno entra no Roxy Music em 1971, mas num primeiro momento não participava dos shows, apenas limitando-se a operar seu sintetizador VCS3, a mesa de som e os tapes pré-gravados, mas logo ficou claro que as suas esquisitices ajudavam a definir mais claramente o conceito Roxy de fazer música – ‘Remake/Remodel’ –, retrabalhando influências que vinham da música pop americana, forjando um rock experimental. Outra coisa que logo ficou clara é que o Roxy era pequeno demais para suas duas figuras mais sui generis, Eno e o frontman Bryan Ferry, e depois do segundo disco do grupo, ‘For Your Pleasure’, de 1973, Eno decidiu pular fora, já tendo engatilhada uma colaboração com outra figura da vanguarda do rock, o guitarrista Robert Fripp, do King Crimson, no álbum ‘Pussyfooting’. Mas seu primeiro álbum-solo ainda marcado pelas experiências glam do Roxy, viria no ano seguinte.
‘Here Come The Warm Jets’, recheado de participações especiais (o citado Fripp, o guitarrista Chris Spedding, o baixista Busta Jones, e todo o Roxy Music à exceção de Bryan Ferry), foi gravado de maneira pouso usual: Eno queria juntar músicos cujos estilos não tivessem nada a ver uns com os outros – de preferência, com formações até mesmo antagônicas. Orientava os caras utilizando linguagem corporal e dança, e pedia que os caras cantassem versos nonsense, que seriam a base para as futuras letras das canções. Depois que cada um gravava sua parte em separado, Eno condensava e mixava tudo, muitas vezes resultando em algo totalmente diferente do que fora registrado. Quanto ao título – “Aí vão os jatos quentes” –, Eno na época disse que referia-se a urina. Vinte e cinco anos depois, em uma entrevista esclareceu que na verdade a expressão descrevia o som que buscava para a sonoridade da guitarra da faixa-título.
O álbum teve excelente repercussão junto à crítica – o lendário Lester Bangs o definiu como “incrível” e a ele seguiram-se outras obras-primas do rock experimental, como ‘Taking Tiger Mountain (By Strategy)’, ‘Another Green World’ e ‘Before and After Science’ (todos relançados remasterizados nesta década pelo selo AstralWerks), os famosos discos ambient – ‘Music For Airports’, ‘Music For Films’ – e colaborações com John Cale, David Byrne, além das suas produções que entraram para a história, como a trilogia berlinense de David Bowie e alguns dos discos mais bem-sucedidos do U2. O disco mais recente de Eno é ‘Ambient: The Plateaux of Mirror’, do ano passado.
Needles in the Camel’s Eye
Baby’s On Fire
Driving Me Bacwards
Some of Them Are Old
segunda-feira, 28 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (39)
O programa deste sábado, 19, tá do c*: três lançamentos quentíssimos (novas do Arcade Fire, Japandroids e Wavves), quatro bandas de meninas muito bacanas (Cibo Matto, Le Tigre, Luscious Jackson e o Men - que esteve entre nós semana passada) e um tesouro escondido (o Pylon, conterrâneo e contemporâneo de R.E.M. e B-52's - ambos, aliás, idolatravam os caras). É às 22h na FM CULTURA (107.7 no dial ou www.fmcultura.com.br na rede). Enjoy!
1º bloco:
ARCADE FIRE – Month of May
Banda canadense de Montreal, do primeiríssimo time do rock atual, fez um show até hoje muito lembrado em Porto Alegre em 2005, abrindo para os Strokes no futuro Pepsi On Stage, na perna gaúcha do Tim Festival. Na ativa desde 2003, com dois álbuns ultra-elogiados no currículo, ‘Funeral’ (2004) e ‘Neon Bible’ (2007), tá voltando com o aguardadíssimo ‘The Suburbs’, que sai em breve. Apresentações teatrais, referências musicais as mais variadas (bossa nova, canção francesa, punk rock, o pós-punk dos anos 1980, o indie rock dos 1990), o grupo liderado pelo casal Win Butler e Régine Chassagne tocou nos principais festivais de rock do planeta, apresentou-se na campanha à presidência de Barrack Obama, abriu para o U2 e chegou a fazer mais de um show a cada três dias no intervalo de um ano tempos atrás.
JAPANDROIDS – Art Czars
Também canadenses, esses de Vancouver, mas com um approach totalmente diferente: duo de guitarra e bateria – Brian King é o homem das cordas, David Prowse é o responsável pelas baquetas –, tem no punk e no powerpop suas maiores inspirações. Um álbum de carreira apenas, ‘Post-Nothing’, um dos melhores do ano passado (mostramos aqui no programa), tiveram uma coletânea de faixas dispersas, ‘No Singles’, lançada recentemente no mercado, assim como dois singles, ‘Younger Us’ e este ‘Art Czars’.
WAVVES – Post Acid
Projeto do malucão Nathan Williams, californiano de San Diego, um skatista largadão que faz um som lo-fi garageiro, que abandonou seu emprego como atendende de uma loja de discos pra se dedicar full-time a seus três maiores prazeres: andar de skate, compor músicas e consumir cannabis. Sem gravadora, começou a digitalizar seus singles, até que chamou a atenção da imprensa especializada e fãs de música indie. ‘Wavvves’, o disco, veio no ano passado, e o cara não para: ‘Post Acid’ é o single mais recente, recém lançado.
2º bloco:
CIBO MATTO – Beef Jerky
Dupla de japonesinhas muito bacana formada em Nova Iorque na primeira metade dos anos 1990, fazia um mix de funk, tropicalia, melodias pop, batidas de hip-hop, deixaram apenas dois álbuns e separaram-se logo depois do segundo, ‘Stereo Type A’, de 1999. Miho Hatori (vocalista) e Yuka Honda (tecladista e responsável também pelos samplers) chegaram em momentos diferentes à big apple, foram se conhecer lá mesmo e antes do Cibo Matto (“loucura por comida”, em italiano), ainda tocaram juntas em uma banda noise chamada Leitoh. Honda havia sido integrante do Brooklyn Funk Essentials, enquanto Hatori fora do grupo de rap Kimidori, em Tóquio. Sean Lennon e o baterista de Jon Spencer, Russel Simmins, chegaram a fazer parte da banda por um curto período. ‘Viva! La Woman’, de 1996, é um dos discos mais divertidos da década de 1990.
LUSCIOUS JACKSON – Daughters of The Chaos
Geralmente relacionadas aos Beastie Boys – as meninas gravavam pelo selo do trio, Grand Royal, e Kate Schellenbach foi a primeira baterista dos Beasties, no tempo em que os caras tocavam hardcore –, o Luscious Jackson fazia uma colagem com referências muito parecidas com as do Cibo Matto, mas o som, mais denso, remetia também ao típico rock indie americano dos anos 1990. Gabby Glaser (guitarrista e vocalista), Jill Cunniff (baixista e vocalista) e a citada Schellenbach conheceram-se na adolescência em Nova Iorque, quando frequentavam a cena musical da cidade – Cunniff, inclusive, editava um fanzine chamado The Decline of Art. Formaram o Luscious em 1991, já tendo Vivain Trimble (tecladista) na formação. O primeiro E.P., ‘In Search of Manny’ (1993), foi sensação entre o povo indie, assim como o álbum de estreia, ‘Natural Ingredients’ (1994), que rendeu uma tour nacional abrindo para o R.E.M. em 1995. ‘Fever In Fever Out’ (1996), produzido por Daniel Lanois, é bem variado, e ‘Electric Honey’ (1999), já sem Vivain, é honesto mas não segurou a onda: as meninas se separaram um ano depois.
LE TIGRE – What’s Yr Take On Cassavetes
Trio americano, tem sua figura central em Kathleen Hanna, ex-líder do barulhento Bikini Kill, feminista radical, editora de fanzine, inspiradora do hino do grunge – Kurt cobain escreveu ‘Smells Like Teen Spirit’ inspirado em uma frase que ela deixou no espelho de sua casa, quando eram namorados, e mulher de Ad Roc, dos Beastie Boys. Na verdade, o Le Tigre tinha sido fundado pra ser um projeto solo dela, mas aos poucos Johanna Fateman (também fanzineira) e Sadie Benning (cineasta) foram se impondo. Bening só participou do primeiro álbum, homônimo, lançado em 1999, que trazia um som que mixava punk, pop, samples e batidas eletrônicas, sendo sbstituída por J.D. Sampson a partir do segundo, ‘Feminist Sweepstakes’ (2001). ‘This Island’, o mais recente, é de 2004, e é o primeiro lançado por uma grande gravadora – no caso, a Universal. O Le Tigre está de férias desde 2007, e nesse meio-tempo, Fateman e J.D. aproveitaram pra fundar outro projeto, o Men.
MEN – Off Our Backs
Grupo novaiorquino formado originalmente por dois terços do Le Tigre, Johanna Fateman e J.D. Samson, embora só essa última ainda permaneça como integrante full-time – Johanna colabora como compositora e produtora mas não excursiona, dedicando-se a outros projetos. Juntaram-se às duas, integrantes de outro projeto de J.D., o Hirsute: Michael O’Neill (que toca também no Ladybug Transistor) e Ginger Brooks Takahashi. A banda, que ainda não tem contrato com nenhuma gravadora, tem um E.P. de três faixas lançado este ano, e na semana passada, apresentou-se em Porto Alegre, no Beco, no braço gaúcho do festival PopLoad, organizado pelo jornalista Lúcio Ribeiro, junto com os Girls.
3º bloco: PYLON – ‘Gyrate’ (1980)/‘Chomp’ (1983)
Mais uma daquelas bandas muito mais faladas do que ouvidas, esta, os fãs de R.E.M. e B-52’s em algum momento já ouviram a respeito: da mesma cidade que as bandas de Michael Stipe e Kate Pierson, o Pylon foi o precursor da cena nwe wave de Athens, no estado americano da Georgia, foi uma grande inspiração para os outros grupos da cidade, mas infelizmente nunca fez sucesso sequer minimamente comparável com os conterrâneos, e nem mesmo uma forcinha de seus fãs/discípulos/amigos deu jeito. Deixou apenas dois álbuns em cinco anos, animou-se a voltar cinco anos depois, mas acabou desistindo de novo, mas nos últimos anos sua obra tem experimentado uma espécie de revisão, com seus dois primeiros discos sendo relançados de forma caprichada.
O guitarrista Randy Bewley e o baixista Michael Lachowski, estudantes de artes na Universidade da Geórgia, fundaram o Pylon em 1978, inspirados no som da cena novaiorquina do CBGB (Television, Talking Heads, Ramones) e tomaram emprestado título de um romance de William Faulkner. Ensaiavam num loft alugado de um artista local, Curtis Crowe, que logo tornaria-se o baterista do grupo, e completariam a formação no mesmo meio: depois de testar vários candidatos, Vanessa Briscoe, também estudante de artes, ficou com o posto. O show de estreia do grupo foi em março de 1979, no mesmo momento em que os conterrâneos do B-52’s ganhavam as paradas do país com o single ‘Rock Lobster’. O primeiro single do Pylon viria no começo de 1980, ‘Cool’, tendo ótima recepção da crítica e logo virando um hit underground. ‘Gyrate’, o disco de estreia, viria em seguida e logo após teve a chance de apresentor-se no Central Park novaiorquino abrindo para o B-52’s. O disco seguinte, ‘Chomp’, veio em 1983 depois de constantes tours pela América, mas a banda a essas alturas já andava desmobilizada, inclusive por não ter ficado satisfeita com o álbum, e então resolveram se separar.
Quatro anos se passaram, e numa famosa entrevista dada à revista Rolling Stone, quando sua banda era eleita a melhor da América, o baterista do R.E.M., Bill Berry, agradeceu mas fazendo a ressalva que a honra cabia ao Pylon, uma grande influência no trabalho de seu grupo - o R.E.M inclusive gravou 'Crazy', do Pylon, no álbum 'Dead Letter Office'. Somando-se a isso, o lançamento da coletânea ‘Hits’, pelo selo dB, inspirou então os caras a voltarem, e o Pylon então lançou mais um disco, ‘Chain’, em 1990, mas o guitarrista Bewley logo anunciaria sua saída, ocasionando nova dissolução. O último show do grupo, no auge do estouro do grunge, foi realizado na Athens natal, em 22 de novembro de 1991. Nos últimos anos, sua música foi resgatada pelo selo DFA (de James Murphy, do LCD Sound System), com o relançamento dos dois primeiros discos, expandidos – ‘Gyrate Plus’ saiu em 2007, ‘Chomp More’, em 2009. Bewley faleceu em 2005, vítima de ataque cardíaco.
Cool
Volume
Feast On My Heart
Beep
Crazy
1º bloco:
ARCADE FIRE – Month of May
Banda canadense de Montreal, do primeiríssimo time do rock atual, fez um show até hoje muito lembrado em Porto Alegre em 2005, abrindo para os Strokes no futuro Pepsi On Stage, na perna gaúcha do Tim Festival. Na ativa desde 2003, com dois álbuns ultra-elogiados no currículo, ‘Funeral’ (2004) e ‘Neon Bible’ (2007), tá voltando com o aguardadíssimo ‘The Suburbs’, que sai em breve. Apresentações teatrais, referências musicais as mais variadas (bossa nova, canção francesa, punk rock, o pós-punk dos anos 1980, o indie rock dos 1990), o grupo liderado pelo casal Win Butler e Régine Chassagne tocou nos principais festivais de rock do planeta, apresentou-se na campanha à presidência de Barrack Obama, abriu para o U2 e chegou a fazer mais de um show a cada três dias no intervalo de um ano tempos atrás.
JAPANDROIDS – Art Czars
Também canadenses, esses de Vancouver, mas com um approach totalmente diferente: duo de guitarra e bateria – Brian King é o homem das cordas, David Prowse é o responsável pelas baquetas –, tem no punk e no powerpop suas maiores inspirações. Um álbum de carreira apenas, ‘Post-Nothing’, um dos melhores do ano passado (mostramos aqui no programa), tiveram uma coletânea de faixas dispersas, ‘No Singles’, lançada recentemente no mercado, assim como dois singles, ‘Younger Us’ e este ‘Art Czars’.
WAVVES – Post Acid
Projeto do malucão Nathan Williams, californiano de San Diego, um skatista largadão que faz um som lo-fi garageiro, que abandonou seu emprego como atendende de uma loja de discos pra se dedicar full-time a seus três maiores prazeres: andar de skate, compor músicas e consumir cannabis. Sem gravadora, começou a digitalizar seus singles, até que chamou a atenção da imprensa especializada e fãs de música indie. ‘Wavvves’, o disco, veio no ano passado, e o cara não para: ‘Post Acid’ é o single mais recente, recém lançado.
2º bloco:
CIBO MATTO – Beef Jerky
Dupla de japonesinhas muito bacana formada em Nova Iorque na primeira metade dos anos 1990, fazia um mix de funk, tropicalia, melodias pop, batidas de hip-hop, deixaram apenas dois álbuns e separaram-se logo depois do segundo, ‘Stereo Type A’, de 1999. Miho Hatori (vocalista) e Yuka Honda (tecladista e responsável também pelos samplers) chegaram em momentos diferentes à big apple, foram se conhecer lá mesmo e antes do Cibo Matto (“loucura por comida”, em italiano), ainda tocaram juntas em uma banda noise chamada Leitoh. Honda havia sido integrante do Brooklyn Funk Essentials, enquanto Hatori fora do grupo de rap Kimidori, em Tóquio. Sean Lennon e o baterista de Jon Spencer, Russel Simmins, chegaram a fazer parte da banda por um curto período. ‘Viva! La Woman’, de 1996, é um dos discos mais divertidos da década de 1990.
LUSCIOUS JACKSON – Daughters of The Chaos
Geralmente relacionadas aos Beastie Boys – as meninas gravavam pelo selo do trio, Grand Royal, e Kate Schellenbach foi a primeira baterista dos Beasties, no tempo em que os caras tocavam hardcore –, o Luscious Jackson fazia uma colagem com referências muito parecidas com as do Cibo Matto, mas o som, mais denso, remetia também ao típico rock indie americano dos anos 1990. Gabby Glaser (guitarrista e vocalista), Jill Cunniff (baixista e vocalista) e a citada Schellenbach conheceram-se na adolescência em Nova Iorque, quando frequentavam a cena musical da cidade – Cunniff, inclusive, editava um fanzine chamado The Decline of Art. Formaram o Luscious em 1991, já tendo Vivain Trimble (tecladista) na formação. O primeiro E.P., ‘In Search of Manny’ (1993), foi sensação entre o povo indie, assim como o álbum de estreia, ‘Natural Ingredients’ (1994), que rendeu uma tour nacional abrindo para o R.E.M. em 1995. ‘Fever In Fever Out’ (1996), produzido por Daniel Lanois, é bem variado, e ‘Electric Honey’ (1999), já sem Vivain, é honesto mas não segurou a onda: as meninas se separaram um ano depois.
LE TIGRE – What’s Yr Take On Cassavetes
Trio americano, tem sua figura central em Kathleen Hanna, ex-líder do barulhento Bikini Kill, feminista radical, editora de fanzine, inspiradora do hino do grunge – Kurt cobain escreveu ‘Smells Like Teen Spirit’ inspirado em uma frase que ela deixou no espelho de sua casa, quando eram namorados, e mulher de Ad Roc, dos Beastie Boys. Na verdade, o Le Tigre tinha sido fundado pra ser um projeto solo dela, mas aos poucos Johanna Fateman (também fanzineira) e Sadie Benning (cineasta) foram se impondo. Bening só participou do primeiro álbum, homônimo, lançado em 1999, que trazia um som que mixava punk, pop, samples e batidas eletrônicas, sendo sbstituída por J.D. Sampson a partir do segundo, ‘Feminist Sweepstakes’ (2001). ‘This Island’, o mais recente, é de 2004, e é o primeiro lançado por uma grande gravadora – no caso, a Universal. O Le Tigre está de férias desde 2007, e nesse meio-tempo, Fateman e J.D. aproveitaram pra fundar outro projeto, o Men.
MEN – Off Our Backs
Grupo novaiorquino formado originalmente por dois terços do Le Tigre, Johanna Fateman e J.D. Samson, embora só essa última ainda permaneça como integrante full-time – Johanna colabora como compositora e produtora mas não excursiona, dedicando-se a outros projetos. Juntaram-se às duas, integrantes de outro projeto de J.D., o Hirsute: Michael O’Neill (que toca também no Ladybug Transistor) e Ginger Brooks Takahashi. A banda, que ainda não tem contrato com nenhuma gravadora, tem um E.P. de três faixas lançado este ano, e na semana passada, apresentou-se em Porto Alegre, no Beco, no braço gaúcho do festival PopLoad, organizado pelo jornalista Lúcio Ribeiro, junto com os Girls.
3º bloco: PYLON – ‘Gyrate’ (1980)/‘Chomp’ (1983)
Mais uma daquelas bandas muito mais faladas do que ouvidas, esta, os fãs de R.E.M. e B-52’s em algum momento já ouviram a respeito: da mesma cidade que as bandas de Michael Stipe e Kate Pierson, o Pylon foi o precursor da cena nwe wave de Athens, no estado americano da Georgia, foi uma grande inspiração para os outros grupos da cidade, mas infelizmente nunca fez sucesso sequer minimamente comparável com os conterrâneos, e nem mesmo uma forcinha de seus fãs/discípulos/amigos deu jeito. Deixou apenas dois álbuns em cinco anos, animou-se a voltar cinco anos depois, mas acabou desistindo de novo, mas nos últimos anos sua obra tem experimentado uma espécie de revisão, com seus dois primeiros discos sendo relançados de forma caprichada.
O guitarrista Randy Bewley e o baixista Michael Lachowski, estudantes de artes na Universidade da Geórgia, fundaram o Pylon em 1978, inspirados no som da cena novaiorquina do CBGB (Television, Talking Heads, Ramones) e tomaram emprestado título de um romance de William Faulkner. Ensaiavam num loft alugado de um artista local, Curtis Crowe, que logo tornaria-se o baterista do grupo, e completariam a formação no mesmo meio: depois de testar vários candidatos, Vanessa Briscoe, também estudante de artes, ficou com o posto. O show de estreia do grupo foi em março de 1979, no mesmo momento em que os conterrâneos do B-52’s ganhavam as paradas do país com o single ‘Rock Lobster’. O primeiro single do Pylon viria no começo de 1980, ‘Cool’, tendo ótima recepção da crítica e logo virando um hit underground. ‘Gyrate’, o disco de estreia, viria em seguida e logo após teve a chance de apresentor-se no Central Park novaiorquino abrindo para o B-52’s. O disco seguinte, ‘Chomp’, veio em 1983 depois de constantes tours pela América, mas a banda a essas alturas já andava desmobilizada, inclusive por não ter ficado satisfeita com o álbum, e então resolveram se separar.
Quatro anos se passaram, e numa famosa entrevista dada à revista Rolling Stone, quando sua banda era eleita a melhor da América, o baterista do R.E.M., Bill Berry, agradeceu mas fazendo a ressalva que a honra cabia ao Pylon, uma grande influência no trabalho de seu grupo - o R.E.M inclusive gravou 'Crazy', do Pylon, no álbum 'Dead Letter Office'. Somando-se a isso, o lançamento da coletânea ‘Hits’, pelo selo dB, inspirou então os caras a voltarem, e o Pylon então lançou mais um disco, ‘Chain’, em 1990, mas o guitarrista Bewley logo anunciaria sua saída, ocasionando nova dissolução. O último show do grupo, no auge do estouro do grunge, foi realizado na Athens natal, em 22 de novembro de 1991. Nos últimos anos, sua música foi resgatada pelo selo DFA (de James Murphy, do LCD Sound System), com o relançamento dos dois primeiros discos, expandidos – ‘Gyrate Plus’ saiu em 2007, ‘Chomp More’, em 2009. Bewley faleceu em 2005, vítima de ataque cardíaco.
Cool
Volume
Feast On My Heart
Beep
Crazy
sexta-feira, 11 de junho de 2010
COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (38)
Tá aí o playlist do programa deste sábado, 12, na FM CULTURA (107.7 no dial ou www.fmcultura.com.br na rede), às 22h. E dá-lhe anos 70! Enjoy ('engaged' or 'single')!
1º bloco:
JÓNSI - Go Do
Alcunha do islandês Jon Thor Birgisson, durante 16 anos vocalista do atmosférico, viajandão e cult Sigur Sós, baluarte do pós-rock dos anos 1990 e 2000. ‘Go’, deste ano, é seu primeiro álbum-solo – antes, no ano passado, havia lançado um outro projeto fora do Sigur, ‘Riceboy Sleeps’, do projeto Jónsi & Alex, em parceria com Alex Somers – que também participa de ‘Go’, assim como Samuli Kosminen e o arranjador e compositor Nico Muhli.
ESPERS – That Wich Darkly Thrives
Trio americano da Filadélfia, já está no seu terceiro álbum – ‘Espers III’ foi lançado em 2009 – e o som é um mix de Velvet Underground, Love, Byrds ... psicodelia californiana sessentista, folk britânico, ruído. Nos discos, ao cantor e compositor Greg Weeks e suas parceiras Meg Baird e Brooke Sietinsons juntam-se diversos colaboradores.
THE POLYPHONIC SPREE – Soldier Girl
Outro projeto psicodélico – este, de Dallas Texas –, no caso, um combo gigantesco liderado pelo maluco-beleza Tim DeLaughter, que antes era frontman da banda garageira Tripping Daisy, que enceroou suas atividades em 1999 com a morte por overdose do guitarrista Wes Berggren. Um ano depois, Tim recolheu seus colegas de TD e mais uma galera e fundou o Polyphonic Spree, que faz um som pop psicodélico e sinfônico, com referências a Beach Boys e Flaming Lips e chega a Ter mais de 20 integrantes no palco. O PS tem cinco álbuns, o primeiro deles sendo ‘The Beginning Stages of ...’, de 2002, e o mais recente o ao vivo ‘Live From Austin, TX’, de 2007.
2º bloco:
'FLAMING LIPS AND STARDEATH AND WHITE DWARFS WITH HENRY ROLLINS AND PEACHES doing The Dark Side of the Moon’ (2010)
Homenagem divertida do patrimônio psicodélico de Oklahoma City e convidados – a banda do sobrinho do líder dos Lips, Wayne Coyne, Dennis, mais a bagaça canadense Peaches e o ícone punk americano Henry Rollins – ao clássico do som progressivo do Pink Floyd lançado em 1973, que ficou 15 anos nas paradas e até hoje é um dos três discos mais vendidos de todos os tempos. O curioso é que os Flaming Lips sempre tiveram muito mais afinidade com o som frenético do Pink Floyd de Syd Barrett do que com a música elaborada e rococó da era Roger Waters.
De qualquer maneira, os Lips já haviam se aventurado em recriar clássicos dos anos 1970 – ‘Ballroom of Mars’, do T-Rex, ‘Baba O’Reily’, do The Who, ‘Under Pressure’, do Queen e David Bowie – e já haviam gravado com o Stardeath and White Darfs uma versão de ‘Borderline’, de Madonna, e esta versão de ‘The Dark Side of The Moon’ já havia sido apresentada na virada do ano. O Stardeath existe desde o final de 2004, tem apenas um álbum (‘The Birth’, de 2009), um single (‘Toast & Marmalade For Free’) e um E.P. homônimo (de 2005) no currículo, mas já esxcursionaram com Deerhoof, Explosions in the Sky, British Sea Power e o próprio Flaming Lips.
Time/Breathe (Reprise)
Us and Them
Brain Damage
3º bloco: SUICIDE – ‘Suicide’ (1977)/‘Suicide’ (1980)
Provavelmente a mais obscura entre todas aquelas bandas de quem se pode dizer que geraram um número absurdo de crias e nas mais variadas vertentes do pop, do rock , da música experimental e da electronica. Com 40 anos de carreira, apenas uma dezena de álbuns, muitas idas e vindas, o Suicide jamais chegou perto de ter uma canção nas paradas ou um álbum entre os mais vendidos, mas poucos grupos podem se gabar de ter influenciado tanta gente, que vai dos duos tecnopop dos anos 1980 ao pessoal do som industrial, do punk rock dos anos 1970 ao som indie dos anos 2000.
O Suicide foi formado em 1970 em Nova Iorque por Alan Vega, cantor e compositor, e Martin Rev, responsável pelos sintetizadores (inicialmente, o cara usava um velho órgão Farfisa avariado) e drum machines, e os caras logo começaram a chamar a atenção pelas suas paresentações caóticas no circuito de artes do Lower East Side da cidade. À música, agressiva e minimal, somava-se uma postura que logo seria uma das marcas registradas do Suicide: a atitude de confronto do vocalista, provocando a plateia – e muitas vezes causando mesmo um conflito generalizado. É famosa a gravação ‘23 Minutes Over Brussels’, um show (ou tentativa) em Bruxelas na Bélgica que durante 23 minutos não acontece muita coisa além de Vega e a audiência se insultarem. Consta que o Suicide foi a primeira banda da história a definir sua música como ‘Punk’, no flyer de um de seus primeiros shows, em novembro de 1970 – o termo eles recolheram de um artigo do lendário crítico Lester Bangs.
Já o nome, Suicide, veio de uma revista em quadrinhos do Motoqueiro Fantasma, ‘Satan Suicide’, que Vega adorava. ‘Ghost Rider’, aliás, o nome original do Motoqueiro, é o nome da mais clássica música da banda, que abre seu primeiro e fundamental disco, o álbum homônimo de 1977, e tem sido constantemente sampleada (‘Born Free’, mais recente e impressionante single da M.I.A., é toda baseada nela) e citada (a levada de ‘Silver Trembling Hands’, dos Flaming Lips, é claramente inspirada nela também). O segundo disco do Suicide, também homônimo, de 1980, com produção do líder dos Cars, Ric Ocasek e sensivelmente mais melódico, é outro clássico, mas a ele segue-se um período de hiato que só vai ser quebrado com a volta do grupo no final dos anos 1980, abraçado pelo selo Wax Trax e o pessoal da cena industrial (Cabaret Voltaire, Ministry, Front 242). Mas o Suicide tem admiradores famosos em outras paragens: Bruce Springsteen é fã de carteirinha, assim como o R.E.M., o Jesus & Mary Chain, Nick Cave, o pessoal do Joy Division/New Order, Soft Cell, Steve Albini, Primal Scream Spiritualise, Peaches, Henry Rollins. O álbum de carreira mais recente do duo é ‘American Supreme’, de 2002, mas os caras seguem na ativa: ano passado, tocaram o primeiro álbum inteirinho no festival All Tomorrow’s Parties, e repetitam a dose em maio deste ano em Londres, abrindo para Iggy & The Stooges, que, por sua vez, tocaram o clássico ‘Raw Power’ de cabo a rabo. Alan Vega sempre foi fã da banda de Iggy Pop, chegou a definir a música dos Stooges como “grande arte” após ver um show dos caras no começo dos anos 1970.
Ghost Rider
Rocket USA
Cheree (remix)
Diamonds, Fur Coat, Champagne
96 Tears (live at CBGB’s 1977)
1º bloco:
JÓNSI - Go Do
Alcunha do islandês Jon Thor Birgisson, durante 16 anos vocalista do atmosférico, viajandão e cult Sigur Sós, baluarte do pós-rock dos anos 1990 e 2000. ‘Go’, deste ano, é seu primeiro álbum-solo – antes, no ano passado, havia lançado um outro projeto fora do Sigur, ‘Riceboy Sleeps’, do projeto Jónsi & Alex, em parceria com Alex Somers – que também participa de ‘Go’, assim como Samuli Kosminen e o arranjador e compositor Nico Muhli.
ESPERS – That Wich Darkly Thrives
Trio americano da Filadélfia, já está no seu terceiro álbum – ‘Espers III’ foi lançado em 2009 – e o som é um mix de Velvet Underground, Love, Byrds ... psicodelia californiana sessentista, folk britânico, ruído. Nos discos, ao cantor e compositor Greg Weeks e suas parceiras Meg Baird e Brooke Sietinsons juntam-se diversos colaboradores.
THE POLYPHONIC SPREE – Soldier Girl
Outro projeto psicodélico – este, de Dallas Texas –, no caso, um combo gigantesco liderado pelo maluco-beleza Tim DeLaughter, que antes era frontman da banda garageira Tripping Daisy, que enceroou suas atividades em 1999 com a morte por overdose do guitarrista Wes Berggren. Um ano depois, Tim recolheu seus colegas de TD e mais uma galera e fundou o Polyphonic Spree, que faz um som pop psicodélico e sinfônico, com referências a Beach Boys e Flaming Lips e chega a Ter mais de 20 integrantes no palco. O PS tem cinco álbuns, o primeiro deles sendo ‘The Beginning Stages of ...’, de 2002, e o mais recente o ao vivo ‘Live From Austin, TX’, de 2007.
2º bloco:
'FLAMING LIPS AND STARDEATH AND WHITE DWARFS WITH HENRY ROLLINS AND PEACHES doing The Dark Side of the Moon’ (2010)
Homenagem divertida do patrimônio psicodélico de Oklahoma City e convidados – a banda do sobrinho do líder dos Lips, Wayne Coyne, Dennis, mais a bagaça canadense Peaches e o ícone punk americano Henry Rollins – ao clássico do som progressivo do Pink Floyd lançado em 1973, que ficou 15 anos nas paradas e até hoje é um dos três discos mais vendidos de todos os tempos. O curioso é que os Flaming Lips sempre tiveram muito mais afinidade com o som frenético do Pink Floyd de Syd Barrett do que com a música elaborada e rococó da era Roger Waters.
De qualquer maneira, os Lips já haviam se aventurado em recriar clássicos dos anos 1970 – ‘Ballroom of Mars’, do T-Rex, ‘Baba O’Reily’, do The Who, ‘Under Pressure’, do Queen e David Bowie – e já haviam gravado com o Stardeath and White Darfs uma versão de ‘Borderline’, de Madonna, e esta versão de ‘The Dark Side of The Moon’ já havia sido apresentada na virada do ano. O Stardeath existe desde o final de 2004, tem apenas um álbum (‘The Birth’, de 2009), um single (‘Toast & Marmalade For Free’) e um E.P. homônimo (de 2005) no currículo, mas já esxcursionaram com Deerhoof, Explosions in the Sky, British Sea Power e o próprio Flaming Lips.
Time/Breathe (Reprise)
Us and Them
Brain Damage
3º bloco: SUICIDE – ‘Suicide’ (1977)/‘Suicide’ (1980)
Provavelmente a mais obscura entre todas aquelas bandas de quem se pode dizer que geraram um número absurdo de crias e nas mais variadas vertentes do pop, do rock , da música experimental e da electronica. Com 40 anos de carreira, apenas uma dezena de álbuns, muitas idas e vindas, o Suicide jamais chegou perto de ter uma canção nas paradas ou um álbum entre os mais vendidos, mas poucos grupos podem se gabar de ter influenciado tanta gente, que vai dos duos tecnopop dos anos 1980 ao pessoal do som industrial, do punk rock dos anos 1970 ao som indie dos anos 2000.
O Suicide foi formado em 1970 em Nova Iorque por Alan Vega, cantor e compositor, e Martin Rev, responsável pelos sintetizadores (inicialmente, o cara usava um velho órgão Farfisa avariado) e drum machines, e os caras logo começaram a chamar a atenção pelas suas paresentações caóticas no circuito de artes do Lower East Side da cidade. À música, agressiva e minimal, somava-se uma postura que logo seria uma das marcas registradas do Suicide: a atitude de confronto do vocalista, provocando a plateia – e muitas vezes causando mesmo um conflito generalizado. É famosa a gravação ‘23 Minutes Over Brussels’, um show (ou tentativa) em Bruxelas na Bélgica que durante 23 minutos não acontece muita coisa além de Vega e a audiência se insultarem. Consta que o Suicide foi a primeira banda da história a definir sua música como ‘Punk’, no flyer de um de seus primeiros shows, em novembro de 1970 – o termo eles recolheram de um artigo do lendário crítico Lester Bangs.
Já o nome, Suicide, veio de uma revista em quadrinhos do Motoqueiro Fantasma, ‘Satan Suicide’, que Vega adorava. ‘Ghost Rider’, aliás, o nome original do Motoqueiro, é o nome da mais clássica música da banda, que abre seu primeiro e fundamental disco, o álbum homônimo de 1977, e tem sido constantemente sampleada (‘Born Free’, mais recente e impressionante single da M.I.A., é toda baseada nela) e citada (a levada de ‘Silver Trembling Hands’, dos Flaming Lips, é claramente inspirada nela também). O segundo disco do Suicide, também homônimo, de 1980, com produção do líder dos Cars, Ric Ocasek e sensivelmente mais melódico, é outro clássico, mas a ele segue-se um período de hiato que só vai ser quebrado com a volta do grupo no final dos anos 1980, abraçado pelo selo Wax Trax e o pessoal da cena industrial (Cabaret Voltaire, Ministry, Front 242). Mas o Suicide tem admiradores famosos em outras paragens: Bruce Springsteen é fã de carteirinha, assim como o R.E.M., o Jesus & Mary Chain, Nick Cave, o pessoal do Joy Division/New Order, Soft Cell, Steve Albini, Primal Scream Spiritualise, Peaches, Henry Rollins. O álbum de carreira mais recente do duo é ‘American Supreme’, de 2002, mas os caras seguem na ativa: ano passado, tocaram o primeiro álbum inteirinho no festival All Tomorrow’s Parties, e repetitam a dose em maio deste ano em Londres, abrindo para Iggy & The Stooges, que, por sua vez, tocaram o clássico ‘Raw Power’ de cabo a rabo. Alan Vega sempre foi fã da banda de Iggy Pop, chegou a definir a música dos Stooges como “grande arte” após ver um show dos caras no começo dos anos 1970.
Ghost Rider
Rocket USA
Cheree (remix)
Diamonds, Fur Coat, Champagne
96 Tears (live at CBGB’s 1977)
sexta-feira, 4 de junho de 2010
COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (37)
Conforme o prometido, tá aí o especial dedicado às Ramones de saias, as Runaways de Joan Jett, Sandy West, Lita Ford, Jackie Fox e Cherie Currie. Tá aí o playlist do prorama, que como sempre vai ao ar no sábado, 22h, na FM CULTURA (107.7 no dial ou www.fmcultura.com.br na rede). Enjoy!
1º bloco:
Uma das principais bandas femininas da história do rock, referência pra pelo menos três gerações de bandas de garotas – das punks inglesas de primeira época (Slits, Raincoats, Kleenex/Liliput), as Riot Grrls dos anos 1990 (Bikini Kill, Hole, L7, Sleater-Kinney, Babes In Toyland e 7Year Bitch) e até as meninas iradas dos anos 2000, como The Donnas. Recentemente, a trajetória das Runaways foi contada em filme, simplesmente chamado ‘The Runaways’ – lançado em março no mercado norte-americano.
A origem das meninas remonta ao ano de 1975, em Los Angeles, onde a guitarrista Joan Jett e a baterista Sandy West apresentaram-se ao produtor, compositor e agitador californiano Kim Fowley, sugerindo-lhe a ideia de formar um grupo só de meninas. Detalhe é que as duas não se conheciam – encontraram-se com Fowley em ocasiões diferentes, mas ele passou o telefone de uma a outra, e elas então encontraram-se e passaram a ensaiar juntas, mostrando depois o resultado ao cara. Saíram então a procurar as outras integrantes, e a primeira a entrar foi a baixista e cantora Micki Steele, dando origem ao power trio que fez as primeiras apresentações públicas das Ruanaways. Logo, seriam adicionadas também Lita Ford, guitarrista de apenas 16 anos, e Cherie Currie, que seria a vocalista principal – e também tinha apenas 16 anos. Mas Micki acabaria deixando o grupo – pra reaparecer depois nas Bangles –, sendo substituída primeiro por Peggy Foster, que ficou apenas um mês, e finalmente por Jackie Fox, completando o line-up clássico que gravaria o primeiro disco, ‘The Runaways’, em 1976.
Cherry Bomb
You Drive Me Wild
Blackmail
Secrets
Dead End Justice
2º bloco:
A repercussão do primeiro álbum não poderia ter sido melhor: além das boas vendas e da aclamação da crítica, rendeu uma grande turnê pela América do Norte, com shows lotadíssimos, tocando com artistas que vão de Cheap Trick a Van Halen e Tom Petty and The Heartbreakers – todos abrindo para as garotas. O divertido era como as meninas tomavam seus ídolos como modelos: Cherie se inspirava em David Bowie, Joan, em Keith Richards e Suzi Quatro, Lita, em Richie Blackmore e Jeff Beck, Sandy, em Roger Taylor (Queen), e Fox em Gene Simmons. As meninas eram figuras frequentes entre as cenas punk novaiorquina – tocavam seguidamente com os Dead Boys, o Blondie e seus amigos Ramones – e londrina – com os Pistols e o Damned.
O segundo disco, ‘Queens of Noise’, saiu em 1977, e rendeu a primeira turnê mundial, com passagem marcante pelo Japão, onde ocupavam o quarto lugar em vendas entre artistas estrangeiros – somente atrás do Abba, do Kiss e do Led Zeppelin –, foram tema de vários programas de TV – incluindo um especial inteirinho dedicado a elas –, sendo mesmo objeto de uma idolatria absurda a tal ponto de Joan Jett descrevê-la como similar à beatlemania. Em Tóquio, registraram seu álbum ao vivo, ‘Live In Japan’, também lançado em 1977, mas com o sucesso vieram as primeiras baixas: Jackie Fox pulou fora, fazendo com que Joan temporariamente ocupasse a posição de baixista – na volta, Vickie Blue, com 17 anos, assumiria o posto. Na volta, a cantora Cherie Currie também largaria o grupo, fazendo com que Joan assumisse o posto de única vocalista – posição que dividia com a dissidente, que logo lançaria um álbum-solo, com a participação de sua irmã, Marie.
Queens of Noise
Born to Be Bad
I Love Playin’ With Fire
California Paradise
Hollywood
3º bloco:
O quarto álbum das Runaways, ‘Waiting For The Night’, de 1977, além de inferior aos anteriores, marcou o início do fim para as garotas: por questões de grana e gerenciamento, separaram-se do antigo protetor Kim Fowley, e por tabela também ficaram sem gravadora – uma vez que o contrato com a Mercury/Polygram estava atrelado à pessoa de Kim. A figura do produtor na banda, aliás, gera muita controvérsia até hoje: em um documentário chamado ‘Edgeplay’, Jackie, Cherie e seus pais, além dos pais de Sandy, acusam Fowley de ter jogado as meninas umas contra as outras como forma de dominá-las e até de ter praticado abusos sexuais. O fato é que as Runaways lançariam apenas mais um disco, ‘And Now ... The Runaways’, em 1978 – e com mais uma mudança, Laurie McCallister no lugar de Vicki –, até decidir encerrar as atividades, em abril de 1979. O último show havia sido na noite da passagem do ano.
Desde então, Joan Jett formou sua própria banda, Joan Jett & The Blackhearts, e o próprio selo, Blackhearts Records, e firmou-se como um ícone do rock, Lita Ford investiu na carreira de metaleira farofa, sob os auspícios de Sharon Osbourne (gravou até com Ozzy), Micki Steele juntou-se às Bangles, Cherie envolveu-se com drogas pesadas, fez filmes e gravou discos, Vickie trabalha como produtora e diretora de filmes, Laurie, após projetos mal-sucedidos largou a música, e Jackie foi estudar: estudou linguística e italiano e formou-se em direito em Harvard, além de ser fotógrafa amadora. Sandy, após tocar com a Sandy West Band nos anos 1980 e 1990 e gravar com John Entwistle (The Who), foi diagnosticada com câncer no sistema linfático em 2005, falecendo no ano seguinte.
Em março deste ano, estreou o filme ‘The Runaways’, dirigido por Floria Sigismondi e baseado nas memórias de Cherie Curie, que no filme é interpretada por Dakota Fanning. Joan Jett, cujo papel é interpretado por Kristen Stewart, é uma da produtoras executivas da fita, com a qual Jackie Fox não quis se envolver, o que ocasionou a mudança do nome de sua personagem para Robin.
I Wanna Be Where The Boys Are (ao vivo)
Neon Angels On The Road to Ruin (ao vivo)
Wasted
1º bloco:
Uma das principais bandas femininas da história do rock, referência pra pelo menos três gerações de bandas de garotas – das punks inglesas de primeira época (Slits, Raincoats, Kleenex/Liliput), as Riot Grrls dos anos 1990 (Bikini Kill, Hole, L7, Sleater-Kinney, Babes In Toyland e 7Year Bitch) e até as meninas iradas dos anos 2000, como The Donnas. Recentemente, a trajetória das Runaways foi contada em filme, simplesmente chamado ‘The Runaways’ – lançado em março no mercado norte-americano.
A origem das meninas remonta ao ano de 1975, em Los Angeles, onde a guitarrista Joan Jett e a baterista Sandy West apresentaram-se ao produtor, compositor e agitador californiano Kim Fowley, sugerindo-lhe a ideia de formar um grupo só de meninas. Detalhe é que as duas não se conheciam – encontraram-se com Fowley em ocasiões diferentes, mas ele passou o telefone de uma a outra, e elas então encontraram-se e passaram a ensaiar juntas, mostrando depois o resultado ao cara. Saíram então a procurar as outras integrantes, e a primeira a entrar foi a baixista e cantora Micki Steele, dando origem ao power trio que fez as primeiras apresentações públicas das Ruanaways. Logo, seriam adicionadas também Lita Ford, guitarrista de apenas 16 anos, e Cherie Currie, que seria a vocalista principal – e também tinha apenas 16 anos. Mas Micki acabaria deixando o grupo – pra reaparecer depois nas Bangles –, sendo substituída primeiro por Peggy Foster, que ficou apenas um mês, e finalmente por Jackie Fox, completando o line-up clássico que gravaria o primeiro disco, ‘The Runaways’, em 1976.
Cherry Bomb
You Drive Me Wild
Blackmail
Secrets
Dead End Justice
2º bloco:
A repercussão do primeiro álbum não poderia ter sido melhor: além das boas vendas e da aclamação da crítica, rendeu uma grande turnê pela América do Norte, com shows lotadíssimos, tocando com artistas que vão de Cheap Trick a Van Halen e Tom Petty and The Heartbreakers – todos abrindo para as garotas. O divertido era como as meninas tomavam seus ídolos como modelos: Cherie se inspirava em David Bowie, Joan, em Keith Richards e Suzi Quatro, Lita, em Richie Blackmore e Jeff Beck, Sandy, em Roger Taylor (Queen), e Fox em Gene Simmons. As meninas eram figuras frequentes entre as cenas punk novaiorquina – tocavam seguidamente com os Dead Boys, o Blondie e seus amigos Ramones – e londrina – com os Pistols e o Damned.
O segundo disco, ‘Queens of Noise’, saiu em 1977, e rendeu a primeira turnê mundial, com passagem marcante pelo Japão, onde ocupavam o quarto lugar em vendas entre artistas estrangeiros – somente atrás do Abba, do Kiss e do Led Zeppelin –, foram tema de vários programas de TV – incluindo um especial inteirinho dedicado a elas –, sendo mesmo objeto de uma idolatria absurda a tal ponto de Joan Jett descrevê-la como similar à beatlemania. Em Tóquio, registraram seu álbum ao vivo, ‘Live In Japan’, também lançado em 1977, mas com o sucesso vieram as primeiras baixas: Jackie Fox pulou fora, fazendo com que Joan temporariamente ocupasse a posição de baixista – na volta, Vickie Blue, com 17 anos, assumiria o posto. Na volta, a cantora Cherie Currie também largaria o grupo, fazendo com que Joan assumisse o posto de única vocalista – posição que dividia com a dissidente, que logo lançaria um álbum-solo, com a participação de sua irmã, Marie.
Queens of Noise
Born to Be Bad
I Love Playin’ With Fire
California Paradise
Hollywood
3º bloco:
O quarto álbum das Runaways, ‘Waiting For The Night’, de 1977, além de inferior aos anteriores, marcou o início do fim para as garotas: por questões de grana e gerenciamento, separaram-se do antigo protetor Kim Fowley, e por tabela também ficaram sem gravadora – uma vez que o contrato com a Mercury/Polygram estava atrelado à pessoa de Kim. A figura do produtor na banda, aliás, gera muita controvérsia até hoje: em um documentário chamado ‘Edgeplay’, Jackie, Cherie e seus pais, além dos pais de Sandy, acusam Fowley de ter jogado as meninas umas contra as outras como forma de dominá-las e até de ter praticado abusos sexuais. O fato é que as Runaways lançariam apenas mais um disco, ‘And Now ... The Runaways’, em 1978 – e com mais uma mudança, Laurie McCallister no lugar de Vicki –, até decidir encerrar as atividades, em abril de 1979. O último show havia sido na noite da passagem do ano.
Desde então, Joan Jett formou sua própria banda, Joan Jett & The Blackhearts, e o próprio selo, Blackhearts Records, e firmou-se como um ícone do rock, Lita Ford investiu na carreira de metaleira farofa, sob os auspícios de Sharon Osbourne (gravou até com Ozzy), Micki Steele juntou-se às Bangles, Cherie envolveu-se com drogas pesadas, fez filmes e gravou discos, Vickie trabalha como produtora e diretora de filmes, Laurie, após projetos mal-sucedidos largou a música, e Jackie foi estudar: estudou linguística e italiano e formou-se em direito em Harvard, além de ser fotógrafa amadora. Sandy, após tocar com a Sandy West Band nos anos 1980 e 1990 e gravar com John Entwistle (The Who), foi diagnosticada com câncer no sistema linfático em 2005, falecendo no ano seguinte.
Em março deste ano, estreou o filme ‘The Runaways’, dirigido por Floria Sigismondi e baseado nas memórias de Cherie Curie, que no filme é interpretada por Dakota Fanning. Joan Jett, cujo papel é interpretado por Kristen Stewart, é uma da produtoras executivas da fita, com a qual Jackie Fox não quis se envolver, o que ocasionou a mudança do nome de sua personagem para Robin.
I Wanna Be Where The Boys Are (ao vivo)
Neon Angels On The Road to Ruin (ao vivo)
Wasted
sexta-feira, 28 de maio de 2010
COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (36)
O programa deste sábado, 29, às 22h, na FM CULTURA (107.7 no dial ou www.fmcultura.com.br na rede). Enjoy!
1º bloco:
THE NATIONAL – Bloodbuzz Ohio
Outra sensação da cena do Brooklyn novaiorquino, já com alguma estrada – o quinteto já tem cinco discos no currículo, o último deles recém-lançado, ‘High Violet’. Ao cantor de peculiar voz de barítono Matt Berninger somam-se duas duplas de irmãos, os Devendorf, Scott (guitarra) e Bryan (bateria), e os Dessner, Aaron (baixo) e Bryce (guitarra). O National surgiu no final da década de 1990 numa cena em as bandas de Nova Iorque – Interpol, Stokes, Yeah Yeah Yeahs, The Walkmen – vinham com grande influência do pós-punk, especialmente o britânico, mas mixando o seu chamber pop com elementos do country rock e da música de raíz americana, além do britpop.
LCD SOUND SYSTEM – Dance Yrself Clean
Um dos mais incensados grupos da segunda metade dos anos 2000, já estreou com um clássico absoluto, o single ‘Losing My Edge’, lançado em 8 de julho de 2002, com suas várias referências bacanas na letra (Can, Gil Scott-Heron, Captain Beefheart, Eric B & Rakim, Pere Ubu, The Germs, Sun Ra, Faust, The Sonics e mais umas duas dezenas) e no som (o electro, a disco, o punkfunk do PIL e da Gang Of Four). James Murphy, o dono da bola e também o cara por trás do influente selo DFA (além de remixador pra artistas como Metro Area, N.E.R.D. e Le Tigre), foi eleito o cara mais cool do planeta por várias publicações descoladas. Os dois incensados álbuns anteriores do LCD, ‘LCD Sound System’ (2005) e ‘Sound of Silver’ (2007), naturalmente criaram uma exagerada expectativa em torno do novo, ‘This Is Happening’, que acaba de sair no mercado.
SLEIGH BELLS – A/B Machines
Pra fechar o bloquinho de lançamentos, mais um do Brooklyn, este um duo formado pelo compositor e produtor Derek Miller e a vocalista Alexis Krauss que iniciou suas atividades no ano passado, apresentando-se no famoso indie CMJ Festival. Alice era cantora de uma banda chamada Rubyblue e Derek, de um grupo de hardcore, o Poison the Well. Mixam melodias pop, samples bacanas (os Kinks, por exemplo) e muito barulho, e seu disco de estreia, ‘Treats’, também saiu recentemente.
2º bloco:
MOJAVE 3 – Who Do You Love
Banda inglesa formada em 1995 dos escombros do Slowdive, pelo líder daquele grupo, Neil Halsted (vocal e guitarras), sua velha amiga Rachel Goswell e o baterista Ian McCutcheon. Tem em comum com o Slowdive o gosto pelo som atmosférico e viajandão, mas aqui o negócio tá mais pra Bob Dylan, Bob Dylan, Nick Drake – compositores com quem Halsted geralmente é comparado – e The Band do que pra Pink Floyd fase Syd Barrett. Tem cinco discos no currículo, todos lançados pelo conceituado selo britânico $AD (Cocteau Twins, Pixies), sendo o primeiro deles ‘Ask Me Tomorrow’, de 1996, e o mais recente, ‘Puzzles Like You’, de 2006. Um dos melhores é ‘Out of Tune’, de 1998.
(SMOG) – I Was a Stranger
Durante quase 20 anos alcunha do cantor, compositor e múlti-instrumentista Bill Callahan – que hoje usa seu verdadeiro nome –, o (Smog) é um daqueles famosos grupos de um homem só, com Callahan comandando as ações e eventualmente chamando músicos de apoio para as gravações e as apresentações ao vivo. Foi um dos balurates do som lo-fi dos anos 1990 – na verdade, começou suas gravações caseiras, lançadas apenas em cassete, em 1988 –, logo assinando com o influente selo Drag City, de Chicago, pelo qual lançou todos os seus discos, de ‘Forgotten Foundation’ (1992) a ‘A River Ain’t Too Much To Love’ (2005), passando por clássicos como ‘Red Apple Falls’ (1997). A melancolia folk de Callahan, com referências que vão de Nick Drake a Syd Barrett, teve seu último lançamento no ano passado com ‘I Wish I Were an Eagle’, um dos melhores discos de 2009 e o terceiro assinando com o próprio nome.
EELS – My Descent Into Madness
Também um projeto ligado basicamente a uma pessoa só – e um sujeito tão atormentado quanto Callahan: no caso o tambémamericano Mark Oliver Everett, conhecido por ‘E’ nos meios pop. E fundou o Eels em Los Angeles em 1995, mixando folk, blues, pop sessentista e até elementos eletrônicos, numa sonoridade que às vezes lembra os primeiros discos de Beck. Seu segundo disco, ‘Electro-Shock Blues’, lançado em 1996, é um dos melhores álbuns da década de 1990, uma profunda reflexão sobre a morte – comparado a clássicos como ‘Tonight’s The Night’, de Neil Young, e ‘Magic and Loss’, de Lou Reed – tendo como mote o passamento de vários familiares e amigos num curto espaçod e tempo. O novo disco do Eels, ‘Tomorrow Morning’, fecho da trilogia composta por ‘Hombre Lobo’ (2009) e ‘End Times’ (deste ano), já é o nono de carreira – fora os álbuns-solo de E e participações em trilhas sonoras.
3º bloco:
THE FLESHTONES – ‘It’s Super Rock Time!: The I.R.S. Years (1980-1985)’ (col., 2010)
Tá aí uma banda que consegue agradar tanto aos fãs do punk rock e do som alternativo – foi da primeira geração da ‘new wave’ novaiorquina, em meados dos anos 1970 – e aos roqueiros mais tradicionais. Desde a fundação, em 1976, os Fleshtones vem construindo uma sólida carreira, com mais de 20 álbuns, e a parte mais expressiva dessa trajetória, os primeiros cinco anos de gravações, está resumida na recém lançada compilação ‘It’s Super Rock Time!: The I.R.S. Years (1980-1985)’, que o selo australiano Raven Records põe no mercado.
A origem dos Fleshtones já é por si só mítica: Keith Streng, que seria o baixista, e Jan-Marek Pakulski, que assumiria o baixo, encontraram instrtumentos perdidos no porão da casa que alugavam, e chamaram seus amigos Lenny Calderon, baterista, e Peter Zaremba, vocalista, tecladista e gaitista, pra se juntarem a eles. Estrearam no mítico C.B.G.B.’s em 19 de maio de 1976, e logo, logo, já estariam se apresentando também em outros palcos tradicionais de Nova Iorque, como o Max’s Kansas City, o Club 57 (onde viraram habitués), o Irving Plaza, a Danceteria, além de outros clubs famosos em outras paragens, como o Maxwell’s, de Hoboken (New Jersey) e o 9:30 de Washington D.C.. Por essa época, dividiam um espaço de gravações com os Cramps no Bowery, e logo depois assinariam contrato com a Red Star Records – que tinha io Suicide no seu cast.
A música dos Fleshtones fazia um mix de rhythm’n’blues e rock de garagem, com guitarras distorcidas por pedais de fuzz e um toque sessentista dado pelos teclados Farfisa, tinha o apoio ao vivo e nas gravações da metaleira do Action Combo, formado pelos irmãos Gordon (sax alto e harmônica) e Brian (sax tenor) Spaeth – o primeiro tornou-se integrante fixo do grupo em 1983. Lançaram seu primeiro single, ‘American Beat’ em 1979 – a canção seria regravada cinco anos depois para a trilha sonora de ‘Despedida de Solteiro’ –, e logo foram contratados pela I.R.S. Records (mesma gravadora do R.E.M.) em 1980. Lançaram seu primeiro E.P., ‘Up-Front’, no mesmo ano, e o álbum de estreia, ‘Roman Gods’, viria em 1982, e seguiram-se a ele ‘Blast Off!’ (com gravações não lançadas pela Red Star), também de 1982, e ‘Hexbreaker’, em 1983 – esses são considerados os melhores trabalhos do grupo.
Embora extremamente populares no circuito underground e com uma grande e fiel audiência, nos charts não jamais se repetiu o sucesso dos Fleshtones: a melhor posição nas paradas um 174º lugar com ‘Roman Gods’. Mesmo assim, os caras continuaram tendo respaldo popular e até presença na mídia: Zaremba foi o mestre de cerimônias do programa da I.R.S. na MTV, ‘I.R.S. Records Presents The Cutting Edge’, que foi ao ar entre 1984 e 1987, e o grupo também apareceu no episódio final do ‘Andy Warhol’s Fifteen Minutes’, show do artista pop na mesma MTV, em 1987. Mesmo sem gravadora, no final dos anos 1980 continuavam a tocar em algumas das casas noturnas mais quentes da América e abriam turnês para nomes históricos como James Brown e Chuck Berry. Nos últimos anos, têm lançado alguns de seus trabalhos mais aclamados, pelo antenado selo Yep Roc Records, pra quem gravam desde 2003.
I’ve Gotta Change My Life
The Girl From Baltimore
R-I-G-H-T-S
Deep in My Heart
Hope Come Back
American Beat ‘84
1º bloco:
THE NATIONAL – Bloodbuzz Ohio
Outra sensação da cena do Brooklyn novaiorquino, já com alguma estrada – o quinteto já tem cinco discos no currículo, o último deles recém-lançado, ‘High Violet’. Ao cantor de peculiar voz de barítono Matt Berninger somam-se duas duplas de irmãos, os Devendorf, Scott (guitarra) e Bryan (bateria), e os Dessner, Aaron (baixo) e Bryce (guitarra). O National surgiu no final da década de 1990 numa cena em as bandas de Nova Iorque – Interpol, Stokes, Yeah Yeah Yeahs, The Walkmen – vinham com grande influência do pós-punk, especialmente o britânico, mas mixando o seu chamber pop com elementos do country rock e da música de raíz americana, além do britpop.
LCD SOUND SYSTEM – Dance Yrself Clean
Um dos mais incensados grupos da segunda metade dos anos 2000, já estreou com um clássico absoluto, o single ‘Losing My Edge’, lançado em 8 de julho de 2002, com suas várias referências bacanas na letra (Can, Gil Scott-Heron, Captain Beefheart, Eric B & Rakim, Pere Ubu, The Germs, Sun Ra, Faust, The Sonics e mais umas duas dezenas) e no som (o electro, a disco, o punkfunk do PIL e da Gang Of Four). James Murphy, o dono da bola e também o cara por trás do influente selo DFA (além de remixador pra artistas como Metro Area, N.E.R.D. e Le Tigre), foi eleito o cara mais cool do planeta por várias publicações descoladas. Os dois incensados álbuns anteriores do LCD, ‘LCD Sound System’ (2005) e ‘Sound of Silver’ (2007), naturalmente criaram uma exagerada expectativa em torno do novo, ‘This Is Happening’, que acaba de sair no mercado.
SLEIGH BELLS – A/B Machines
Pra fechar o bloquinho de lançamentos, mais um do Brooklyn, este um duo formado pelo compositor e produtor Derek Miller e a vocalista Alexis Krauss que iniciou suas atividades no ano passado, apresentando-se no famoso indie CMJ Festival. Alice era cantora de uma banda chamada Rubyblue e Derek, de um grupo de hardcore, o Poison the Well. Mixam melodias pop, samples bacanas (os Kinks, por exemplo) e muito barulho, e seu disco de estreia, ‘Treats’, também saiu recentemente.
2º bloco:
MOJAVE 3 – Who Do You Love
Banda inglesa formada em 1995 dos escombros do Slowdive, pelo líder daquele grupo, Neil Halsted (vocal e guitarras), sua velha amiga Rachel Goswell e o baterista Ian McCutcheon. Tem em comum com o Slowdive o gosto pelo som atmosférico e viajandão, mas aqui o negócio tá mais pra Bob Dylan, Bob Dylan, Nick Drake – compositores com quem Halsted geralmente é comparado – e The Band do que pra Pink Floyd fase Syd Barrett. Tem cinco discos no currículo, todos lançados pelo conceituado selo britânico $AD (Cocteau Twins, Pixies), sendo o primeiro deles ‘Ask Me Tomorrow’, de 1996, e o mais recente, ‘Puzzles Like You’, de 2006. Um dos melhores é ‘Out of Tune’, de 1998.
(SMOG) – I Was a Stranger
Durante quase 20 anos alcunha do cantor, compositor e múlti-instrumentista Bill Callahan – que hoje usa seu verdadeiro nome –, o (Smog) é um daqueles famosos grupos de um homem só, com Callahan comandando as ações e eventualmente chamando músicos de apoio para as gravações e as apresentações ao vivo. Foi um dos balurates do som lo-fi dos anos 1990 – na verdade, começou suas gravações caseiras, lançadas apenas em cassete, em 1988 –, logo assinando com o influente selo Drag City, de Chicago, pelo qual lançou todos os seus discos, de ‘Forgotten Foundation’ (1992) a ‘A River Ain’t Too Much To Love’ (2005), passando por clássicos como ‘Red Apple Falls’ (1997). A melancolia folk de Callahan, com referências que vão de Nick Drake a Syd Barrett, teve seu último lançamento no ano passado com ‘I Wish I Were an Eagle’, um dos melhores discos de 2009 e o terceiro assinando com o próprio nome.
EELS – My Descent Into Madness
Também um projeto ligado basicamente a uma pessoa só – e um sujeito tão atormentado quanto Callahan: no caso o tambémamericano Mark Oliver Everett, conhecido por ‘E’ nos meios pop. E fundou o Eels em Los Angeles em 1995, mixando folk, blues, pop sessentista e até elementos eletrônicos, numa sonoridade que às vezes lembra os primeiros discos de Beck. Seu segundo disco, ‘Electro-Shock Blues’, lançado em 1996, é um dos melhores álbuns da década de 1990, uma profunda reflexão sobre a morte – comparado a clássicos como ‘Tonight’s The Night’, de Neil Young, e ‘Magic and Loss’, de Lou Reed – tendo como mote o passamento de vários familiares e amigos num curto espaçod e tempo. O novo disco do Eels, ‘Tomorrow Morning’, fecho da trilogia composta por ‘Hombre Lobo’ (2009) e ‘End Times’ (deste ano), já é o nono de carreira – fora os álbuns-solo de E e participações em trilhas sonoras.
3º bloco:
THE FLESHTONES – ‘It’s Super Rock Time!: The I.R.S. Years (1980-1985)’ (col., 2010)
Tá aí uma banda que consegue agradar tanto aos fãs do punk rock e do som alternativo – foi da primeira geração da ‘new wave’ novaiorquina, em meados dos anos 1970 – e aos roqueiros mais tradicionais. Desde a fundação, em 1976, os Fleshtones vem construindo uma sólida carreira, com mais de 20 álbuns, e a parte mais expressiva dessa trajetória, os primeiros cinco anos de gravações, está resumida na recém lançada compilação ‘It’s Super Rock Time!: The I.R.S. Years (1980-1985)’, que o selo australiano Raven Records põe no mercado.
A origem dos Fleshtones já é por si só mítica: Keith Streng, que seria o baixista, e Jan-Marek Pakulski, que assumiria o baixo, encontraram instrtumentos perdidos no porão da casa que alugavam, e chamaram seus amigos Lenny Calderon, baterista, e Peter Zaremba, vocalista, tecladista e gaitista, pra se juntarem a eles. Estrearam no mítico C.B.G.B.’s em 19 de maio de 1976, e logo, logo, já estariam se apresentando também em outros palcos tradicionais de Nova Iorque, como o Max’s Kansas City, o Club 57 (onde viraram habitués), o Irving Plaza, a Danceteria, além de outros clubs famosos em outras paragens, como o Maxwell’s, de Hoboken (New Jersey) e o 9:30 de Washington D.C.. Por essa época, dividiam um espaço de gravações com os Cramps no Bowery, e logo depois assinariam contrato com a Red Star Records – que tinha io Suicide no seu cast.
A música dos Fleshtones fazia um mix de rhythm’n’blues e rock de garagem, com guitarras distorcidas por pedais de fuzz e um toque sessentista dado pelos teclados Farfisa, tinha o apoio ao vivo e nas gravações da metaleira do Action Combo, formado pelos irmãos Gordon (sax alto e harmônica) e Brian (sax tenor) Spaeth – o primeiro tornou-se integrante fixo do grupo em 1983. Lançaram seu primeiro single, ‘American Beat’ em 1979 – a canção seria regravada cinco anos depois para a trilha sonora de ‘Despedida de Solteiro’ –, e logo foram contratados pela I.R.S. Records (mesma gravadora do R.E.M.) em 1980. Lançaram seu primeiro E.P., ‘Up-Front’, no mesmo ano, e o álbum de estreia, ‘Roman Gods’, viria em 1982, e seguiram-se a ele ‘Blast Off!’ (com gravações não lançadas pela Red Star), também de 1982, e ‘Hexbreaker’, em 1983 – esses são considerados os melhores trabalhos do grupo.
Embora extremamente populares no circuito underground e com uma grande e fiel audiência, nos charts não jamais se repetiu o sucesso dos Fleshtones: a melhor posição nas paradas um 174º lugar com ‘Roman Gods’. Mesmo assim, os caras continuaram tendo respaldo popular e até presença na mídia: Zaremba foi o mestre de cerimônias do programa da I.R.S. na MTV, ‘I.R.S. Records Presents The Cutting Edge’, que foi ao ar entre 1984 e 1987, e o grupo também apareceu no episódio final do ‘Andy Warhol’s Fifteen Minutes’, show do artista pop na mesma MTV, em 1987. Mesmo sem gravadora, no final dos anos 1980 continuavam a tocar em algumas das casas noturnas mais quentes da América e abriam turnês para nomes históricos como James Brown e Chuck Berry. Nos últimos anos, têm lançado alguns de seus trabalhos mais aclamados, pelo antenado selo Yep Roc Records, pra quem gravam desde 2003.
I’ve Gotta Change My Life
The Girl From Baltimore
R-I-G-H-T-S
Deep in My Heart
Hope Come Back
American Beat ‘84
sexta-feira, 21 de maio de 2010
COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (35)
No programa deste sábado, 22, às 22h, na FM CULTURA (107.7 no dial ou www.fmcultura.com.br na rede), tem três lançamentos muito legais, o resgate de três obscuridades bacanas do final dos anos 1970/início dos 1980 e uma palhinha de uma coletânea recém-lançada que dá uma geral na carreira de uma cult band inglesa dos anos 1990. Enjoy!
1º bloco:
SURFER BLOOD - Swim
Surf music indie da melhor qualidade, um dos melhores discos a pintar no mercado este ano, o álbum de estreia da banda de West Palm Beach, Flórida, de recentíssima formação: começaram a tocar ano passado apenas. ‘Astro Coast’ tem melodias pop grudentas, peso e uma levada indie que os aproxima de clássicas guitar bands americanas, como Pavement e Built To Spill, além de esculpirem em alguns momentos um paredão sonoro que lembra as experimentações de Kevin Shields do My Bloody Valentine, além do papa do wall of sound do pop sessentista, Phil spector. São um quinteto, formado pelo cantor e guitarrista John Paul Pitts, o baterista Tyler Schwarz, o guitarrista Thomas Fekete, o baixista Brian Black e o percussionista Marcos Marchesani, são queridinhos de órgãos como o influente site Pitchfork e já excursionaram com Art Brut e Japandroids.
THE BLACK KEYS – Tighten Up
O duo americano de Akron, Ohio – Dan Auerbach, guitarra e voz, e Patrick Carney, bateria –, na estrada desde 2001, está de volta com ‘Brothers’, álbum com uma levada soul sessentista, som de órgãozinho análogo e efeitos de phasing e fuzz nas guitarras e até uma versão do clássico ‘Never Gonna Give You Up’, da dupla de compositores Gamble & Huff, já gravado por “n” artistas. ‘Brothers’ sucede o aclamado ‘Attack & Release’ (2008), que teve produção de Danger Mouse, e ‘Blacrock’, Álbum em colaboração com vários artistas de hip-hop, como Mos Def, RZA e Ludacris, entre outros. O BK também tem se apresentado por aí com gente como Public Enemy, The Roots e TV On The Radio.
THE TALLEST MAN ON EARTH – King of Spain
“O Homem Mais Alto do Mundo” é a alcunha do sueco Kristian Matsson, um trovador folk de timbre de voz peculiar, também cantor de uma banda chamada Montezumas. Tem dois álbuns, o aclamadíssimo ‘Shallow Grave’, lançado há dois anos, e ‘The Wild Hunt’, que saiu no mês passado, além de um EP de estreia, homônimo. O curioso é que o cara, mesmo sendo nórdico, utiliza não só elementos da música de raíz dos Estados Unidos – fazendo um som bem cru, aliás, que remete a Dylan e Woody Guthrie –, mas mesmo termos e expressões antigas do inglês falado na América do Norte. The Tallest Man On Earth grava para o selo americano Dead Oceans.
2º bloco:
THE UNITS – High Pressure Days
Sensacional banda californiana de San Francisco, uma das pioneiras do “synthpunk” (ou seja, o punk rock que utilizava sintetizadores em vez de guitarras), que teve vida curta – de 1978 a 1984 –, e teve lançada lá fora a coletânea ‘History of The Units: The Early Years: 1977-1983’, no final do ano passado. Misto de grupo de rock e artistas performáticos, seus shows eram espetáculos múlti-mídia com projeções de filmes satíricos e anti-conformistas com fortes críticas ao consumismo – uma compilação destes filmes, ‘Unit Training Film #1’, chegou a passar em algumas salas de cinema alternativas da bay area de San Francisco, na época. A coletânea que está no mercado gringo é basicamente uma reunião do primeiro álbum, ‘Digital Stimulation’ (1980), e vários singles. Mesmo obscuros, desconhecidos do grande público, os Units tocaram com Iggy Pop, Orchestral Manouvres In The Dark, Soft Cell, Police, XTC, Gary Numan, Psychedelic Furs e os conterrâneos Dead Kennedys.
THE PLIMSOULS – Everyday Things
Outra banda californiana – mas de Los Angeles –, fundada no final dos anos 1970 – também em 1978 –, igualmente de curta duração – encerrou as atividades em 1983 –, e com pegada punk – mas fundindo o rock garageiro ao soul dos 60’s, os Plimsouls tinham no vocalista e compositor Peter Case, autor de ‘Hangin’ On the Telephone’, depois gravada pelo Blondie, a principal figura. Jamais deixaram de ser uma banda cult e sequer conseguiram que sua fama local atravessasse o Atlântico, mas foram um dos mais quentes grupos a fazerem o circuito de clubs da Sunset Strip, em L.A. em sua época. Saiu há pouco lá fora um disco ao vivo dos caras, gravado justamente numa dessas apresentações, em uma noite de Halloween, ‘Live! Beg, Borrow & Steal: October 31, 1981 Whisky a Go Go’, mas a faixa que a gente ouve é do segundo e último álbum de estúdio dos caras, ‘Everywhere at Once’, de 1983. Os caras têm outro disco ao vivo, lançado em 1988, lançado com a banda já inativa. Os Plimsouls voltaram em 1995, com Clem Burke, ex-Blondie, na bateria, e ainda registraram o álbum ‘Kool Trash’, em 1998, e penduraram as chuteiras definitivamente. Peter Case tem uma respeitada carreira-solo, em discos que mixam o rock ao blues e ao folk.
LET’S ACTIVE – Every Word Means No
Banda oitentista de Chapel Hill, da Carolina do Norte, liderada por um dos caras mais influentes mais do rock americano dos anos 1980, o prolífico Micth Easter, produtor dos clássicos primeiros discos do R.E.M., um álbum do Pavement, outro do Helium, dono dos famosos Drive-In Studios, e ex-integrante de uma banda chamada The Sneakers. O Let’s Active durou de 1981 a 1988, deixou três álbuns e alguns E.P.s – sendo o primeiro, ‘Afoot’, de 1983, um clássico –, e um som grudento (no bom sentido), com melodias que lembram os 60’s, de acento sulista, que exerceu grande influência em várias college bands americanas. Mitch, que tá com 55 anos de idade, lançou seu primeiro álbum-solo, ‘Dynamico’, só em 2007.
3º bloco:
SLOWDIVE – ‘The Shining Breeze: The Slowdive Anthology’ (col., 2010)
Caso típico daquelas bandas muito mais faladas do que ouvidas, o Slowdive geralmente é um dos citados quando se ouve o termo “shoegazer’ – algo como o cara que fita os sapatos, numa referência à postura tímida e distante e o som etéreo e viajandão dos caras –, embora as outras bandas citadas do gênero, como My Bloody Valentine, Ride e Jesus & Mary Chain sejam bastante populares entre os curtidores do som alternativo. O Slowdive surgiu em 1989 em Reading, terra de um dos mais populares festivais de rock na Inglaterra, encerrou as atividades seis anos depois, deixou apenas três álbuns, gravados quando os integrantes do grupo mal haviam saído da adolescência que teimam em soar de uma rara beleza quase vinte anos após lançados. A recém-lançada coletânea dupla ‘The Shining Breeze: The Slowdive Anthology’ cobre do primeiro E.P., ‘Slowdive’, lançado em 1990, até o terceiro e derradeiro álbum ‘Pygmalion’, de 1995.
O nome da banda veio de um sonho do baixista Nick Chaplin, um dos integrantes originais, junto com a vocalista e guitarrista Rachel Goswell – fã de carteirinha dos Smiths –, o também vocalista e guitarrista Neil Halstead (amigo de infância de Rachel), o guitarrista Christian Savill e Adrian Sell, o primeiro de vários bateristas. Não demorou muito para que assinassem com o selo Creation – não por acaso, o mesmo de Jesus & Mary Chain e My Bloody Valentine –, e os primeiro single chamaram logo a atenção da crítica especializada e do povo indie, tendo excelente repercussão. Pela altura do terceiro, ‘Holding Our Breath’, lançado em junho de 1991, já eram uma das sensações do que a imprensa britânica apelidou de “a cena que celebra a si mesma” – que incluía ainda o Curve, o Lush, o Swervedriver e até o recém surgido Blur, o que no caso não tinha nada a ver com narcisismo, mas referia-se basicamente a uma turma que saía junto pra fazer festa, em que os caras iam uns nos shows dos outros e de quem se esperava fosse fazer algo de relevante.
O disco de estreia do Slowdive, ‘Just For a Day’, saiu na Inglaterra em setembro de 1991, justamente no momento em que a América era sacudida pelo bombástico ‘Nevermind’, do Nirvana, e apesar de o disco frquentar o Top 10 indie britânico, a cena shoegaze já andava saindo de moda, e a imprensa musical da ilha, que tradicionalmente abandona rapidinho as bandas que pouco antes incensou – o famoso esquema do “a melhor banda do mundo esta semana” –, já não dava mais muita bola pros caras. Ao debut, seguiu-se a coletânea de singles ‘Blue Day’ – que continha uma versão de ‘Golden Hair’, canção de Syd Barrett a partir de poema de James Joyce, e mais um disco de carreira, ‘Souvlaki’ (1993), que teve até o luxuoso auxílio de Brian Eno em algumas faixas, mas teve problemas na divulgação no mercado americano, uma vez que a turnê agendada não contou com o principal: por conta de uma inacreditável trapalhada da gravadora SBK, o disco só foi sair nos EUA muito tempo depois.
Antes de retirar-se de cena, o Slowdive ainda gravaria o controverso ‘Pygmalion’, álbum de atmosfera ambient que desgostou Chaplin e Savill, que resolveram pular fora em meio às gravações, vindo a ser praticamente um trabalho-solo de Halstead. Halstead, porém, reuniu o que sobrou do grupo – sua velha amiga Rachel e o baterista Ian McCutcheon, e fundou o Mojave 3, que faz um som eminentemente acústico – e etéreo – e já tem cinco discos no currículo.
Alison
Catch The Breeze
Dagger
Machine Gun
Souvlaki Spacestation
1º bloco:
SURFER BLOOD - Swim
Surf music indie da melhor qualidade, um dos melhores discos a pintar no mercado este ano, o álbum de estreia da banda de West Palm Beach, Flórida, de recentíssima formação: começaram a tocar ano passado apenas. ‘Astro Coast’ tem melodias pop grudentas, peso e uma levada indie que os aproxima de clássicas guitar bands americanas, como Pavement e Built To Spill, além de esculpirem em alguns momentos um paredão sonoro que lembra as experimentações de Kevin Shields do My Bloody Valentine, além do papa do wall of sound do pop sessentista, Phil spector. São um quinteto, formado pelo cantor e guitarrista John Paul Pitts, o baterista Tyler Schwarz, o guitarrista Thomas Fekete, o baixista Brian Black e o percussionista Marcos Marchesani, são queridinhos de órgãos como o influente site Pitchfork e já excursionaram com Art Brut e Japandroids.
THE BLACK KEYS – Tighten Up
O duo americano de Akron, Ohio – Dan Auerbach, guitarra e voz, e Patrick Carney, bateria –, na estrada desde 2001, está de volta com ‘Brothers’, álbum com uma levada soul sessentista, som de órgãozinho análogo e efeitos de phasing e fuzz nas guitarras e até uma versão do clássico ‘Never Gonna Give You Up’, da dupla de compositores Gamble & Huff, já gravado por “n” artistas. ‘Brothers’ sucede o aclamado ‘Attack & Release’ (2008), que teve produção de Danger Mouse, e ‘Blacrock’, Álbum em colaboração com vários artistas de hip-hop, como Mos Def, RZA e Ludacris, entre outros. O BK também tem se apresentado por aí com gente como Public Enemy, The Roots e TV On The Radio.
THE TALLEST MAN ON EARTH – King of Spain
“O Homem Mais Alto do Mundo” é a alcunha do sueco Kristian Matsson, um trovador folk de timbre de voz peculiar, também cantor de uma banda chamada Montezumas. Tem dois álbuns, o aclamadíssimo ‘Shallow Grave’, lançado há dois anos, e ‘The Wild Hunt’, que saiu no mês passado, além de um EP de estreia, homônimo. O curioso é que o cara, mesmo sendo nórdico, utiliza não só elementos da música de raíz dos Estados Unidos – fazendo um som bem cru, aliás, que remete a Dylan e Woody Guthrie –, mas mesmo termos e expressões antigas do inglês falado na América do Norte. The Tallest Man On Earth grava para o selo americano Dead Oceans.
2º bloco:
THE UNITS – High Pressure Days
Sensacional banda californiana de San Francisco, uma das pioneiras do “synthpunk” (ou seja, o punk rock que utilizava sintetizadores em vez de guitarras), que teve vida curta – de 1978 a 1984 –, e teve lançada lá fora a coletânea ‘History of The Units: The Early Years: 1977-1983’, no final do ano passado. Misto de grupo de rock e artistas performáticos, seus shows eram espetáculos múlti-mídia com projeções de filmes satíricos e anti-conformistas com fortes críticas ao consumismo – uma compilação destes filmes, ‘Unit Training Film #1’, chegou a passar em algumas salas de cinema alternativas da bay area de San Francisco, na época. A coletânea que está no mercado gringo é basicamente uma reunião do primeiro álbum, ‘Digital Stimulation’ (1980), e vários singles. Mesmo obscuros, desconhecidos do grande público, os Units tocaram com Iggy Pop, Orchestral Manouvres In The Dark, Soft Cell, Police, XTC, Gary Numan, Psychedelic Furs e os conterrâneos Dead Kennedys.
THE PLIMSOULS – Everyday Things
Outra banda californiana – mas de Los Angeles –, fundada no final dos anos 1970 – também em 1978 –, igualmente de curta duração – encerrou as atividades em 1983 –, e com pegada punk – mas fundindo o rock garageiro ao soul dos 60’s, os Plimsouls tinham no vocalista e compositor Peter Case, autor de ‘Hangin’ On the Telephone’, depois gravada pelo Blondie, a principal figura. Jamais deixaram de ser uma banda cult e sequer conseguiram que sua fama local atravessasse o Atlântico, mas foram um dos mais quentes grupos a fazerem o circuito de clubs da Sunset Strip, em L.A. em sua época. Saiu há pouco lá fora um disco ao vivo dos caras, gravado justamente numa dessas apresentações, em uma noite de Halloween, ‘Live! Beg, Borrow & Steal: October 31, 1981 Whisky a Go Go’, mas a faixa que a gente ouve é do segundo e último álbum de estúdio dos caras, ‘Everywhere at Once’, de 1983. Os caras têm outro disco ao vivo, lançado em 1988, lançado com a banda já inativa. Os Plimsouls voltaram em 1995, com Clem Burke, ex-Blondie, na bateria, e ainda registraram o álbum ‘Kool Trash’, em 1998, e penduraram as chuteiras definitivamente. Peter Case tem uma respeitada carreira-solo, em discos que mixam o rock ao blues e ao folk.
LET’S ACTIVE – Every Word Means No
Banda oitentista de Chapel Hill, da Carolina do Norte, liderada por um dos caras mais influentes mais do rock americano dos anos 1980, o prolífico Micth Easter, produtor dos clássicos primeiros discos do R.E.M., um álbum do Pavement, outro do Helium, dono dos famosos Drive-In Studios, e ex-integrante de uma banda chamada The Sneakers. O Let’s Active durou de 1981 a 1988, deixou três álbuns e alguns E.P.s – sendo o primeiro, ‘Afoot’, de 1983, um clássico –, e um som grudento (no bom sentido), com melodias que lembram os 60’s, de acento sulista, que exerceu grande influência em várias college bands americanas. Mitch, que tá com 55 anos de idade, lançou seu primeiro álbum-solo, ‘Dynamico’, só em 2007.
3º bloco:
SLOWDIVE – ‘The Shining Breeze: The Slowdive Anthology’ (col., 2010)
Caso típico daquelas bandas muito mais faladas do que ouvidas, o Slowdive geralmente é um dos citados quando se ouve o termo “shoegazer’ – algo como o cara que fita os sapatos, numa referência à postura tímida e distante e o som etéreo e viajandão dos caras –, embora as outras bandas citadas do gênero, como My Bloody Valentine, Ride e Jesus & Mary Chain sejam bastante populares entre os curtidores do som alternativo. O Slowdive surgiu em 1989 em Reading, terra de um dos mais populares festivais de rock na Inglaterra, encerrou as atividades seis anos depois, deixou apenas três álbuns, gravados quando os integrantes do grupo mal haviam saído da adolescência que teimam em soar de uma rara beleza quase vinte anos após lançados. A recém-lançada coletânea dupla ‘The Shining Breeze: The Slowdive Anthology’ cobre do primeiro E.P., ‘Slowdive’, lançado em 1990, até o terceiro e derradeiro álbum ‘Pygmalion’, de 1995.
O nome da banda veio de um sonho do baixista Nick Chaplin, um dos integrantes originais, junto com a vocalista e guitarrista Rachel Goswell – fã de carteirinha dos Smiths –, o também vocalista e guitarrista Neil Halstead (amigo de infância de Rachel), o guitarrista Christian Savill e Adrian Sell, o primeiro de vários bateristas. Não demorou muito para que assinassem com o selo Creation – não por acaso, o mesmo de Jesus & Mary Chain e My Bloody Valentine –, e os primeiro single chamaram logo a atenção da crítica especializada e do povo indie, tendo excelente repercussão. Pela altura do terceiro, ‘Holding Our Breath’, lançado em junho de 1991, já eram uma das sensações do que a imprensa britânica apelidou de “a cena que celebra a si mesma” – que incluía ainda o Curve, o Lush, o Swervedriver e até o recém surgido Blur, o que no caso não tinha nada a ver com narcisismo, mas referia-se basicamente a uma turma que saía junto pra fazer festa, em que os caras iam uns nos shows dos outros e de quem se esperava fosse fazer algo de relevante.
O disco de estreia do Slowdive, ‘Just For a Day’, saiu na Inglaterra em setembro de 1991, justamente no momento em que a América era sacudida pelo bombástico ‘Nevermind’, do Nirvana, e apesar de o disco frquentar o Top 10 indie britânico, a cena shoegaze já andava saindo de moda, e a imprensa musical da ilha, que tradicionalmente abandona rapidinho as bandas que pouco antes incensou – o famoso esquema do “a melhor banda do mundo esta semana” –, já não dava mais muita bola pros caras. Ao debut, seguiu-se a coletânea de singles ‘Blue Day’ – que continha uma versão de ‘Golden Hair’, canção de Syd Barrett a partir de poema de James Joyce, e mais um disco de carreira, ‘Souvlaki’ (1993), que teve até o luxuoso auxílio de Brian Eno em algumas faixas, mas teve problemas na divulgação no mercado americano, uma vez que a turnê agendada não contou com o principal: por conta de uma inacreditável trapalhada da gravadora SBK, o disco só foi sair nos EUA muito tempo depois.
Antes de retirar-se de cena, o Slowdive ainda gravaria o controverso ‘Pygmalion’, álbum de atmosfera ambient que desgostou Chaplin e Savill, que resolveram pular fora em meio às gravações, vindo a ser praticamente um trabalho-solo de Halstead. Halstead, porém, reuniu o que sobrou do grupo – sua velha amiga Rachel e o baterista Ian McCutcheon, e fundou o Mojave 3, que faz um som eminentemente acústico – e etéreo – e já tem cinco discos no currículo.
Alison
Catch The Breeze
Dagger
Machine Gun
Souvlaki Spacestation
sexta-feira, 14 de maio de 2010
COMPANHIA MAGNÉTICA NO RÁDIO (34)
Este é o COMPANHIA MAGNÉTICA deste sábado, dia 15, às 22h na FM CULTURA (107.7 no dial ou www.fmcultura.com.br na rede). Tem três lançamentos de 2010 (um deles desta semana), mais clássicos de quatro bandas dos anos 1980 e 90 que fazem aniversário e/ou resolveram retomar as atividades. Enjoy!
1º bloco:
THE DEAD WEATHER – Die by the Drop

Um dos dois projetos paralelos do cabeça dos White Stripes, o cantor/guitarrista/compositor Jack White – o outro são os Raconteurs –, o Dead Weather surgiu no verão de 2008, quando os Raconteurs excursionavam com o duo The Kills, e de maneira inusitada: como White estava impedido de cantar por conta de uma bronquite, a vocalista dos Kills, Alison Mosshart, foi chamada a subir no palco e substituí-lo em algumas canções. Deu tão certo que Jack e Alison resolveram juntar esforços em um outro grupo, e chamaram pra se juntar a eles o baixista ‘Little Jack’ Lawrence e o guitarrista Dean Fertita, que toca no Queens of The Stone Age. Detalhe: no TDW, Jack White é baterista. O som dos caras é um blues-rock sombrio, e a primeira gravação do quarteto foi um cover de Gary Numan, ‘Are Friends Electric?’. A primeira apresentação do Dead Weather deu-se em março do ano passado, e o disco de estreia, ‘Horehound’, veio no verão americano. O segundo álbum, ‘Sea of Cowards’, saiu na terça-feira desta semana, dia 11, lá fora.
HERE WE GO MAGIC – Collector

Mais uma banda bacana a sair do Broklyn novaiorquino, o HWGM é obra de um sujeito chamado Luke Temple, cantor e compositor, que, antes de se aventurar pela música, era artista visual – o cara é muralista, e vagava por vários cantos da América até se fixar em Nova Iorque . O som do grupo é um mix de folk, country, pop indie, com referências aos anos 1980 e 1990, e os caras já têm dois discos: o debut, homônimo, lançado ano passado, e ‘Pidgeons’, colocado no mercado americano este ano, pelo selo Secretly Canadian.
THE RADIO DEPT. – Heaven’s On Fire

Esta banda é sueca, muito influenciada pelo som shoegazer britânico da virada dos anos 1980 para os 90 (Slowdive, My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain), e já tem uma certa estrada: o álbum de estreia, ‘Lesser Matters’, é de 2003. Na verdade, a primeira encarnação do grupo data de 1995, fundada por Elin Almered e Johan Duncanson, mas não durou muito. Três anos depois, já com Martin Larsson no lugar de Almered, voltaram decididos, gravando uma demo que logo enviaram para uma popular revista sueca chamada Sonic, que gostou e inclui uma das canções em um CD-sample encartado em uma de suas edições. O influente selo indie Labrador gostou e contratou os caras, e em 2005 veio a consagração a nível internacional, quando os caras tiveram três música incluídas na trilha do filme ‘Maria Antonieta’, de Sofia Coppola. O quinto álbum, ‘Clinging to a Scheme’, saiu há menos de um mês.
2º bloco:
SUNNY DAY REAL ESTATE – In Circles

Influente grupo americano de Seattle, surgido em 1992, logo após o advento do grunge, registrou seus álbuns pela mesma gravadora Sub Pop que fez a fama do gênero, mas diferentemente de seus conterrâneos Nirvana, Tad e Mudhoney, sempre fizeram um som mais elaborado e melódico, que serviu de inspiração inclusive para o povo emo. A curta história do Sunny Day é das mais curiosas, recheada de mistério: originalmente um trio – Dan Hoerner (guitarra e vocais), Nate Mendel (baixo) e William Goldsmith (bateria) –, com a entrada do vocalista Jeremy Enigk o grupo parece que passou a assumir uma postura enigmática: só liberaram uma foto para divulgação na imprensa, concederam apenas uma entrevista, e por alguma razão que se desconhece, jamais tocaram na Califórnia com o quarteto completo. O primeiro disco, ‘Diary’, saiu em 1994, mesma época em que Enigk se convertia ao Cristianismo, e no ano seguinte, logo após o lançamento de ‘LP2’ resolveram parar. Voltariam dois anos depois, já sem Mendel, que se juntou ao Foo Fighters, e gravaram mais três álbuns – um deles ao vivo –, até decidirem parar de vez, em 2001. Ano passado, retomaram as atividades e estão nas escalações dos festivais de rock mais importantes do hemisfério norte deste ano.
THE HOUSE OF LOVE – Christine

Banda muito popular no Reino Unido no final dos anos 1980/início dos 90, uma guitar band que mixava melodias à la Smiths, psicodelia e ruído, muito comparada também ao Jesus & Mary Chain, até por ser da mesma gravadora – a mítica Creation Records, do visionário Alan McGhee. Guy Chadwick, vocalista e guitarrista, era o compositor e principal figura do grupo, que deixou quatro álbuns até 1994, quando resolveram encerrar as atividades. O primeiro, sim plesmente intitulado ‘The House of Love’, saiu em 1988, teve grande impacto na Inglaterra e foi relançado ano passado lá fora. O segundo, também homônimo, é conhecido como “o álbum da borboleta”, em função da capa, e compõe junto com o antecessor, a nata de sua discografia. Após 10 anos de hiato, Chadwick e o guitarrista Terry Bickers resolveram reativar o HOL, com o mesmo baterista Pete Evans, mas Matt Jury no lugar do baixista original, Chris Groothuizen, e o resultado foi o disco ‘Days Run Away’, lançado em 2005. Consta que ainda estão na ativa. Ano passado, saiu um disco ao vivo gravado na BBC.
THE WEDDING PRESENT – Brassneck

Outra sensação do rock inglês surgida na metade dos anos 1980 – e também comparada aos Smiths –, surgiu em Leeds em 1985, anunciou seu fim em 1997 mas também resolveu retornar à atividade em meados dos anos 2000. David Gedge, cantor e compositor, e único remanescente da formação original, é, basicamente, o dono da bola, mexendo constantemente no line-up do grupo. Ele era líder de uma banda chamada The Lost Pandas, que acabou, basicamente, quando sua namorada, a baterista do grupo, o deixou pra ficar com o guitarrista. Gedge e o baixista, então, renomearam o grupo como “O Presente de Casamento”, uma referência a um de seus grupos favoritos, o australiano The Birthday Party (“O Presente de Aniversário”), de Nick Cave. Mais uma banda bacana a cair nas graças do lendário DJ da BBC John Peel, o TWP fez sua primeira aparição no rádio. O primeiro álbum do grupo, que o tornou uma sensação nos meios universitários britânicos, faz outra homenagem, esta ao craque irlandês do Manchester United dos anos 1970 George Best, mas é o seguinte, ‘Bizarro’ (1989), produzido por Steve Albini, o preferido pela maioria dos fãs do grupo. Acaba de sair uma edição especial comemorativa aos 21 anos de lançamento do disco no hemisfério norte.
3º bloco:
THE SOFT BOYS – ‘Underwater Moonlight’ (1980)
Um dos grupos mais influentes do pós-punk britânico, influência confessa do R.E.M., do Yo La Tengo, dos Replacements, do Dream Syndicate e uma infinidade de guitar bands psicodélicas americanas, o quarteto liderado pelo cantor, compositor e guitarrista Robyn Hithcock durou apenas cinco anos, o suficiente pra imprimir sua marca e deixar pelo menos dois discos clássicos, o primeiro, ‘A Can of Bees’ (1979), e o segundo, ‘Underwater Moonlight’ (1980), um poderoso mix de Beatles, Byrds, Buffalo Springfield, Syd Barrett, Television e Big Star. De quebra, as letras originais de Robyn Hitchcock, um dos compositores mais respeitados do rock dos anos 1980, 90 e 2000.
Os Soft Boys – que inicialmente chamavam-se Dennis and the Experts – iniciaram em 1976 em Cambridge, na Inglaterra, bem no olho do furacão, quando o punk explodia na ilha. Além de Hitchcock, a formação inicial tinha Morris Windsor na bateria, Andy Metcalfe no baixo, e Rob Lamb, que foi logo substituído po Alan Davies, na outra guitarra, e a primeira gravação foi um E.P. chamado ‘Give It to The Soft Boys’, registrado na sala da casa de Hitchcock em 1976. Logo, a formação mudaria, com a saída Davies, entrando Kimberley Rew em seu lugar. O álbum de estreia, ‘A Can of Bees’, foi gravado já com essa formação, mas logo Metcalfe também sairia, para a entrada de Matthew Seligman e saiu em 1979. A obra-prima da banda viria no ano seguinte.
‘Underwater Moonlight’ juntava à perfeição o senso melódico com a energia punk em canções como ‘I Wanna Destroy You’, canções pop ganchudas como a faixa-título com as udanças de ritmo como a nervosa ‘Insanely Jealous’. Uma pena que um disco dessa envergadura e com tamanho apelo pop não tenha servido para manter a banda na ativa: os caras resolveram se separar logo depois, deixando ainda dois discos póstumos, o E.P ‘2 Halfs For the Price of One’ (1981), e uma compilação de gravações feitas mais ou menos na mesma época de ‘Underwater ...’, ‘Invisible Hits’ (1983). Robyn Hitchcock partiria em respeitada carreira solo logo a seguir, lançando material sob o nome de Robyn Hitchcock & The Egyptians, tendo Morris Windsor e Andy Metcalfe como músicos de apoio, enquanto que Seligman tornou-se um requisitado músico de estúdio e Kimberley Rew juntou-se à banda Katrina & The Waves. Os Soft Boysa ainda se reuniriam duas outras vezes, em 1994, para uma breve tour pelo Reino Unido, e em 2001, por conta dos 20 anos (21, na verdade) do lançamento de ‘Underwater Moonlight’, que recebeu uma edição dupla, caprichada, da americana Matador Records. Ainda registraram mais um disco, ‘Nextdoorland’, em 2002, mas fecharam o boteco definitivamente no ano seguinte. Hitchcock, que acaba de lançar mais um disco-solo – o bastante elogiado ‘Propellor Time’ –, pode ser visto em pontas dos filmes mais recentes do diretor Jonathan Demme – ‘Sob o Domínio do Mal’, ‘O Casamento de Rachel’ –, seu velho fã e amigo.
I Wanna Destroy You
Kingdom of Love
Insanely Jealous
Underwater Moonlight

Os Soft Boys: melhor banda a unir a urgência punk às melodias folk psicodélicas sessentistas

O incansável Robyn Hitchcock, em seu 'cameo' em 'O Casamento de Rachel': novo disco, pra variar, foi bastante elogiado
1º bloco:
THE DEAD WEATHER – Die by the Drop

Um dos dois projetos paralelos do cabeça dos White Stripes, o cantor/guitarrista/compositor Jack White – o outro são os Raconteurs –, o Dead Weather surgiu no verão de 2008, quando os Raconteurs excursionavam com o duo The Kills, e de maneira inusitada: como White estava impedido de cantar por conta de uma bronquite, a vocalista dos Kills, Alison Mosshart, foi chamada a subir no palco e substituí-lo em algumas canções. Deu tão certo que Jack e Alison resolveram juntar esforços em um outro grupo, e chamaram pra se juntar a eles o baixista ‘Little Jack’ Lawrence e o guitarrista Dean Fertita, que toca no Queens of The Stone Age. Detalhe: no TDW, Jack White é baterista. O som dos caras é um blues-rock sombrio, e a primeira gravação do quarteto foi um cover de Gary Numan, ‘Are Friends Electric?’. A primeira apresentação do Dead Weather deu-se em março do ano passado, e o disco de estreia, ‘Horehound’, veio no verão americano. O segundo álbum, ‘Sea of Cowards’, saiu na terça-feira desta semana, dia 11, lá fora.
HERE WE GO MAGIC – Collector

Mais uma banda bacana a sair do Broklyn novaiorquino, o HWGM é obra de um sujeito chamado Luke Temple, cantor e compositor, que, antes de se aventurar pela música, era artista visual – o cara é muralista, e vagava por vários cantos da América até se fixar em Nova Iorque . O som do grupo é um mix de folk, country, pop indie, com referências aos anos 1980 e 1990, e os caras já têm dois discos: o debut, homônimo, lançado ano passado, e ‘Pidgeons’, colocado no mercado americano este ano, pelo selo Secretly Canadian.
THE RADIO DEPT. – Heaven’s On Fire

Esta banda é sueca, muito influenciada pelo som shoegazer britânico da virada dos anos 1980 para os 90 (Slowdive, My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain), e já tem uma certa estrada: o álbum de estreia, ‘Lesser Matters’, é de 2003. Na verdade, a primeira encarnação do grupo data de 1995, fundada por Elin Almered e Johan Duncanson, mas não durou muito. Três anos depois, já com Martin Larsson no lugar de Almered, voltaram decididos, gravando uma demo que logo enviaram para uma popular revista sueca chamada Sonic, que gostou e inclui uma das canções em um CD-sample encartado em uma de suas edições. O influente selo indie Labrador gostou e contratou os caras, e em 2005 veio a consagração a nível internacional, quando os caras tiveram três música incluídas na trilha do filme ‘Maria Antonieta’, de Sofia Coppola. O quinto álbum, ‘Clinging to a Scheme’, saiu há menos de um mês.
2º bloco:
SUNNY DAY REAL ESTATE – In Circles

Influente grupo americano de Seattle, surgido em 1992, logo após o advento do grunge, registrou seus álbuns pela mesma gravadora Sub Pop que fez a fama do gênero, mas diferentemente de seus conterrâneos Nirvana, Tad e Mudhoney, sempre fizeram um som mais elaborado e melódico, que serviu de inspiração inclusive para o povo emo. A curta história do Sunny Day é das mais curiosas, recheada de mistério: originalmente um trio – Dan Hoerner (guitarra e vocais), Nate Mendel (baixo) e William Goldsmith (bateria) –, com a entrada do vocalista Jeremy Enigk o grupo parece que passou a assumir uma postura enigmática: só liberaram uma foto para divulgação na imprensa, concederam apenas uma entrevista, e por alguma razão que se desconhece, jamais tocaram na Califórnia com o quarteto completo. O primeiro disco, ‘Diary’, saiu em 1994, mesma época em que Enigk se convertia ao Cristianismo, e no ano seguinte, logo após o lançamento de ‘LP2’ resolveram parar. Voltariam dois anos depois, já sem Mendel, que se juntou ao Foo Fighters, e gravaram mais três álbuns – um deles ao vivo –, até decidirem parar de vez, em 2001. Ano passado, retomaram as atividades e estão nas escalações dos festivais de rock mais importantes do hemisfério norte deste ano.
THE HOUSE OF LOVE – Christine

Banda muito popular no Reino Unido no final dos anos 1980/início dos 90, uma guitar band que mixava melodias à la Smiths, psicodelia e ruído, muito comparada também ao Jesus & Mary Chain, até por ser da mesma gravadora – a mítica Creation Records, do visionário Alan McGhee. Guy Chadwick, vocalista e guitarrista, era o compositor e principal figura do grupo, que deixou quatro álbuns até 1994, quando resolveram encerrar as atividades. O primeiro, sim plesmente intitulado ‘The House of Love’, saiu em 1988, teve grande impacto na Inglaterra e foi relançado ano passado lá fora. O segundo, também homônimo, é conhecido como “o álbum da borboleta”, em função da capa, e compõe junto com o antecessor, a nata de sua discografia. Após 10 anos de hiato, Chadwick e o guitarrista Terry Bickers resolveram reativar o HOL, com o mesmo baterista Pete Evans, mas Matt Jury no lugar do baixista original, Chris Groothuizen, e o resultado foi o disco ‘Days Run Away’, lançado em 2005. Consta que ainda estão na ativa. Ano passado, saiu um disco ao vivo gravado na BBC.
THE WEDDING PRESENT – Brassneck

Outra sensação do rock inglês surgida na metade dos anos 1980 – e também comparada aos Smiths –, surgiu em Leeds em 1985, anunciou seu fim em 1997 mas também resolveu retornar à atividade em meados dos anos 2000. David Gedge, cantor e compositor, e único remanescente da formação original, é, basicamente, o dono da bola, mexendo constantemente no line-up do grupo. Ele era líder de uma banda chamada The Lost Pandas, que acabou, basicamente, quando sua namorada, a baterista do grupo, o deixou pra ficar com o guitarrista. Gedge e o baixista, então, renomearam o grupo como “O Presente de Casamento”, uma referência a um de seus grupos favoritos, o australiano The Birthday Party (“O Presente de Aniversário”), de Nick Cave. Mais uma banda bacana a cair nas graças do lendário DJ da BBC John Peel, o TWP fez sua primeira aparição no rádio. O primeiro álbum do grupo, que o tornou uma sensação nos meios universitários britânicos, faz outra homenagem, esta ao craque irlandês do Manchester United dos anos 1970 George Best, mas é o seguinte, ‘Bizarro’ (1989), produzido por Steve Albini, o preferido pela maioria dos fãs do grupo. Acaba de sair uma edição especial comemorativa aos 21 anos de lançamento do disco no hemisfério norte.
3º bloco:
THE SOFT BOYS – ‘Underwater Moonlight’ (1980)
Um dos grupos mais influentes do pós-punk britânico, influência confessa do R.E.M., do Yo La Tengo, dos Replacements, do Dream Syndicate e uma infinidade de guitar bands psicodélicas americanas, o quarteto liderado pelo cantor, compositor e guitarrista Robyn Hithcock durou apenas cinco anos, o suficiente pra imprimir sua marca e deixar pelo menos dois discos clássicos, o primeiro, ‘A Can of Bees’ (1979), e o segundo, ‘Underwater Moonlight’ (1980), um poderoso mix de Beatles, Byrds, Buffalo Springfield, Syd Barrett, Television e Big Star. De quebra, as letras originais de Robyn Hitchcock, um dos compositores mais respeitados do rock dos anos 1980, 90 e 2000.
Os Soft Boys – que inicialmente chamavam-se Dennis and the Experts – iniciaram em 1976 em Cambridge, na Inglaterra, bem no olho do furacão, quando o punk explodia na ilha. Além de Hitchcock, a formação inicial tinha Morris Windsor na bateria, Andy Metcalfe no baixo, e Rob Lamb, que foi logo substituído po Alan Davies, na outra guitarra, e a primeira gravação foi um E.P. chamado ‘Give It to The Soft Boys’, registrado na sala da casa de Hitchcock em 1976. Logo, a formação mudaria, com a saída Davies, entrando Kimberley Rew em seu lugar. O álbum de estreia, ‘A Can of Bees’, foi gravado já com essa formação, mas logo Metcalfe também sairia, para a entrada de Matthew Seligman e saiu em 1979. A obra-prima da banda viria no ano seguinte.
‘Underwater Moonlight’ juntava à perfeição o senso melódico com a energia punk em canções como ‘I Wanna Destroy You’, canções pop ganchudas como a faixa-título com as udanças de ritmo como a nervosa ‘Insanely Jealous’. Uma pena que um disco dessa envergadura e com tamanho apelo pop não tenha servido para manter a banda na ativa: os caras resolveram se separar logo depois, deixando ainda dois discos póstumos, o E.P ‘2 Halfs For the Price of One’ (1981), e uma compilação de gravações feitas mais ou menos na mesma época de ‘Underwater ...’, ‘Invisible Hits’ (1983). Robyn Hitchcock partiria em respeitada carreira solo logo a seguir, lançando material sob o nome de Robyn Hitchcock & The Egyptians, tendo Morris Windsor e Andy Metcalfe como músicos de apoio, enquanto que Seligman tornou-se um requisitado músico de estúdio e Kimberley Rew juntou-se à banda Katrina & The Waves. Os Soft Boysa ainda se reuniriam duas outras vezes, em 1994, para uma breve tour pelo Reino Unido, e em 2001, por conta dos 20 anos (21, na verdade) do lançamento de ‘Underwater Moonlight’, que recebeu uma edição dupla, caprichada, da americana Matador Records. Ainda registraram mais um disco, ‘Nextdoorland’, em 2002, mas fecharam o boteco definitivamente no ano seguinte. Hitchcock, que acaba de lançar mais um disco-solo – o bastante elogiado ‘Propellor Time’ –, pode ser visto em pontas dos filmes mais recentes do diretor Jonathan Demme – ‘Sob o Domínio do Mal’, ‘O Casamento de Rachel’ –, seu velho fã e amigo.
I Wanna Destroy YouKingdom of Love
Insanely Jealous
Underwater Moonlight

Os Soft Boys: melhor banda a unir a urgência punk às melodias folk psicodélicas sessentistas

O incansável Robyn Hitchcock, em seu 'cameo' em 'O Casamento de Rachel': novo disco, pra variar, foi bastante elogiado
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