sábado, 13 de junho de 2009

Versinhos bacanas (22) - Jigsaw Falling Into Place (RADIOHEAD)

"Just as you take my hand
Just as you write my number down
Just as the drinks arrive
Just as they play your favourite song
As your bad day disappears
No longer wound up like a spring
Before you've had too much
Come back in focus again
The walls are bending shape
You got a cheshire cat grin
All blurring into one
This place is on a mission
Before the night owl
Before the animal noises
Closed circuit cameras
Before you comatose
Before you run away from me
Before you're lost between the notes
The beat goes round and round
The beat goes round and round
I never really got there
I just pretended that I had
Words are blunt instruments
Words are sawn off shotguns
Come on and let it out
Come on and let it out
Come on and let it out
Come on and let it out
Before you run away from me
Before your lost between the notes
Just as you take the mic
Just as you dance, dance, dance
A Jigsaw falling into place
So there is nothing to explain
You eye each other as you pass
She looks back and you look back
Not just onceand not just twice
Wish away your nightmare
Wish away the nightmare
You got the light you can feel it on your back
[A light,] you can feel it on your back
Your jigsaw falling into place"

(Lançada em single em janeiro de 2008, paralelamente ao lançamento "físico" do álbum 'In Rainbows', colocado para download no site da banda no final do ano anterior, 'Jigsaw Falling Into Place' é mais uma brilhante canção do RADIOHEAD, que retrata um relacionamento fracassado desde o seu início. O single foi o primeiro a sair pelo selo indie inglês XL, após a banda decidir não mais gravar material para a Parlophone, subsidiária da major EMI. Esta semana, a banda anunciou em seu site o "disco 2" de 'In Rainbows' - músicas das mesmas sessões de gravações do álbum de 2007 que já estavam disponíveis no box de 'In Rainbows'. O álbum 2, avulso, custa £6,00 (ou U$9,55), e quem ouviu garante que não é grana posta fora: as músicas têm o mesmo nível do primeiro álbum. O site da banda também anuncia a disponibilidade para download gratuito do 'In Rainbows' original de dos discos-solo de Thom Yorke, 'The Eraser', e Colin Greenwood, 'There Will Be Blood' (trilha do filme de Paul Thomas Anderson). Thom faz show no Latitude Festival, em Southwold, Inglaterra, no mês que vem. O Radiohead retoma sua tour mundial a partir de agosto.)


Thom Yorke em cena: já dá pra compará-lo a Bowie, Brain Wilson, Lennon, Eno, Hendrix, Dylan?

Frases e diálogos inesquecíveis (21) – If.... (Lindsay Anderson)

"Quando é que vivemos? Isso é o que quero saber!"
(Após soar o sino indicando o início do horário das refeições.)

...

"Morte ao opressor!", grita um.
"Resistência!", responde outro.
"Liberdade!", brada mais um.
"Um homem pode mudar o mundo com uma bala no lugar certo.", conclui Travis.

(Mick Travis, o incendiário estudante de uma repressora escola britânica interpretado por Malcolm McDowell, e sua radical visão de mundo, em ‘If ....’, clássico da rebelião estudantil do inglês Lindsay Anderson, de 1968).

Travis e colegas, dando início à revolução

Paradão da Semana (08 a 12/06/2009)

Medication (Primal Scream)
The Man Don’t Give a Fuck (Super Furry Animals)
The River (Nomeansno)
To Be Someone (Didn’t We Have a Nice Time) (The Jam)
Gold Soundz (Pavement)
Submerge (Come)
Hang On St. Christopher (Tom Waits)
Big River (Bob Dylan c/ Johnny Cash)
Jigsaw Falling Into Place (Radiohead)
In the Name of the Father (Black Grape)
How Low Can a Punk Get (Bad Brains)
English Civil War (Clash)
Can’t Give Up (Sebadoh)
Make My Mind (Screaming Trees)
I Am the Cosmos (Chris Bell)
Like a Hurricane (Neil Young)
Raisins (ao vivo, BBC Sessions, 11/08/1988) (Dinosaur Jr.)
Desperado (Alice Cooper)
Teenage Kicks (Undertones)
Situation Vacant (Kinks)
Lady Stardust (ao vivo, ‘Bowie at the Beeb’) (David Bowie)
White Chalk (PJ Harvey)
All That Is My Own (Nico)
Cut-out Shapes (Magazine)
Jesus Doesn’t Want Me For a Sunbeam (ao vivo, ‘Unplugged in New York’) (Nirvana)
Tell Me a Story (Iggy Pop)
Hurry Up Harry (Sham 69)
Heaven and Hell (ao vivo, ‘Live at Leeds’) (The Who)
Graham Greene (John Cale)
Pagan Poetry (Björk)
As Tears Go By (Marianne Faithfull)
Other Voices (The Cure)

sábado, 6 de junho de 2009

Versinhos bacanas (21)

"Little orphans in the snow
With nowhere to call a home
Start their singing
Waiting through the summertime
To thaw your hearts in wintertime
That's why they're singing...
Waiting for a sign to turn blood into wine
The sweet taste in your mouth...
turned bitter in its glass

Israel...
in Israel
Israel...
in Israel

Shattered fragments of the past
Meet in veins on the stained glass
Like the lifeline in your palm
Red and green reflects the scene
Of a long forgotten dream
There were princes and there were kings
Now hidden in disguise... cheap wrappings of lies
Keep your heart alive
with a song from inside
Even though we're all alone
We are never on our own when we're singing
There's a man who's looking in
And he smiles a toothless grin
Because he's singing...
See some people shine with glee
But their song is jealousy
Their hate is clanging ...maddening

In Israel... will they sing Happy Noel?
Israel... in Israel
Israel... in Israel
In Israel will they sing Happy Noel?"

(‘Israel’. Lançada em single em novembro de 1980, entre os álbuns ‘Kaleidoscope’ e ‘Juju’, é uma das canções preferidas dos fãs de Siouxsie and the Banshees, um clássico que, a exemplo do compacto anterior da banda, ‘Christine’, não entrou em disco de carreira nenhum – ao menos a versão em estúdio. Já a gravação ao vivo, essa é ainda mais memorável: impossível esquecer a introdução do álbum ao vivo ‘Nocturne’, com uma gravação de ‘Pássaros de Fogo’, de Stravinsky criando o clima até a banda subir ao palco e Budgie dar o start nas baquetas. Entram, então, as levadas de baixo e bateria com forte acento reggae e, na sequência, a guitarra hipnótica de John McGeoch. A letra fala da violência do oriente médio causada pelo sectarismo religioso tendo o cuidado de evitar a questão política: a ênfase é no horror, no desespero, na descrença.)
Budgie, Siouxsie, McGeoch e Severin: uma das bandas mais originais de todos os tempos

Frases e diálogos inesquecíveis (21)

Primeira marionete anuncia o espetáculo:
- "Senhoras e senhores, temos a honra de apresentar um grande drama social. O espetáculo provará que o erro é sempre punido".

Segunda marionete interrompe:
- "Senhoras e senhores, temos a honra e apresentar uma comédia moral".
- "O que faz aqui?", surpreende-se a primeira marionete.

- "Apresento a comédia", responde a segunda.

- "De jeito nenhum. É comigo", retruca a primeira.

Então, surge a terceira marionete, pondo fim à discussão das outras duas:
- "Senhoras e senhores, não lhes dêem ouvidos. A peça não é nem um drama nem uma comédia. Ela não tem intenção moral e não provará nada. Os personagens não são heróis nem tratantes, são pobres homens como eu e vocês. ele é bom, tímido, não muito jovem e muito ingênuo. Tem uma cultura intelectual e sentimental inferior, de modo que, em seu meio, parece um imbecil. Ela ... é uma moça de charme próprio e a vulgaridade em pessoa. É sempre sincera: mente o tempo todo. O outro ... é o jovem Dédé, e nada mais. E agora, senhoras e senhores, o espetáculo vai começar".

(Introdução de A CADELA, de Jean Renoir. O primeiro grande filme do mestre francês, de 1931, jamais lançado em vídeo caseiro no Brasil, tem Michel Simon em magistral atuação, como Maurice, um caixa de banco que leva sua vidinha medíocre ao lado da neurótica mulher que só faz diminuí-lo, Adele (Magdelaine Berubet). Ele tem um hobby, que exercita entusiasticamente nos finais de semana como forma de fugir do marasmo, que é pintar – algo naturalmente desprezado pela esposa. Um belo dia, ele vê uma garota apanhando de um homem na rua e corre pra socorrê-la. Acaba fazendo amizade com ela, que se chama Lulu (Janie Pelletier), é prostituta, e discutia com seu cafetão, Dédé (George Flamant). Logo ela conhecerá os quadros de Maurice, que apaixonado pela jovem, lhe cederá várias de suas obras, que o casal de vigaristas irá vender a ummarchant, impressionado pela qualidade do trabalho – Lulu agora finge ser uma artista americana, Clara Wood, e o servil Maurice concorda em assinar com o nome da fictícia artista em função do amor doentio que nutre pela meretriz. Retrato magnífico da auto-destruição de um homem talentoso mas que não possui vida própria, ‘La Chienne’, feito um ano antes de um dos maiores clássicos da filmografia de Jean Renoir, ‘Boudou Salvo das Águas’ – também com o grande Michel Simon no papel principal –, foi refilmado em 1945 por Fritz Lang nos Estados Unidos em clima de film noir como ‘Scarlet Street’ e o excelente Edward G. Robinson no papel do perdedor e a bela Joan Bennett no da esperta femme fatale. O filme de Lang está disponível nas locadoras com o título de ‘Almas Perversas’. É bom, mas não chega aos pés de ‘La Chienne’.)

O inocente Maurice corteja a golpista Lulu: retrato da paixão obsessiva e do auto-aniquilamento, 'A Cadela' é o primeiro grande filme de Jean Renoir

Assim foi escrito (8) – Eugènie Grandet (Honoré de Balzac)

Com maior conhecimento, a gente antiga da região achava que, sendo os Grandet demasiado cautos para deixarem sair da família os seus bens, a senhorita Eugènie Grandet, de Saumur, se casaria com o filho do senhor Grandet, de Paris, um rico negociante de vinhos por atacado. A isto respondiam os cruchotinos e os grassinistas:

- Para começar, os dois irmãos não se viram duas vezes nestes trinta anos. E depois, o senhor Grandet de Paris tem altas pretensões para o filho. É prefeito de um distrito, deputado, coronel da guarda nacional, juiz do tribunal de comércio; renega os Grandet de Saumur e pretende aliar-se a alguma família ducal pela graça de Napoleão.


...

A grande Nanon era talvez a única criatura humana capaz de aceitar o despotismo daquele amo. Toda a cidade invejava o senhor e a senhora Grandet por causa dela. A grande Nanon, assim chamada graças à sua estatura de cinco pés e oito polegadas, pertencia a Grandet havia trinta e cinco anos. Embora tivesse um ordenado de sessenta libras apenas, passava por uma das empregadas mais ricas de Saumur. Aquelas sessenta libras, acumuladas ao longo de trinta e cinco anos, haviam-lhe permitido recentemente colocar quatro mil libras a render juros com mestre Cruchot. Esses resultados das longas e persistentes economias da grande Nanon pareceu gigantesco. Cada empregada, vendo que a pobre sexagenária garantiria o pão da velhice, tinha-lhe ciúmes, sem pensar na dura servidão pela qual o ganhara.

Na idade de vinte e dois anos, a pobre criatura não arranjava nenhum emprego, tanto seu aspecto era repelente; essa impressão, aliás era muito injusta: aquelas mesmas feições seriam dignas de admiração sobre os ombros de um granadeiros da guarda; mas tudo, como se diz, deve ter o seu propósito. Forçada a abandonar uma granja incendiada, onde cuidava das vacas, veio para Saumur à procura de serviço, animada por aquela robusta coragem que não se recusa a nada.

O senhor Grandet pensava na ocasião em casar-se, e já queria montar casa. Reparou naquela moça, rejeitada de porta em porta. Sabendo avaliar a força corporal, na sua qualidade de tanoeiro, adivinhou o partido que podia tirar de uma criatura fêmea talhada como um Hércules, plantada sobre os pés como um carvalho sexagenário sobre suas raízes, forte de ancas, quadrada de ombros, com mãos de carreteiro e uma probidade tão rigorosa como a sua intacta virtude. Nem as verrugas que ornamentavam aquele rosto marcial, nem a tez cor de tijolo, nem os braços nervosos, nem os trapos de Nanon assustaram o tanoeiro, que ainda estava na idade em que o coração estremece. E, em conseqüência, vestiu, calçou, alimentou a pobre rapariga, deu-lhe um ordenado e a empregou, sem maltratá-la muito.

Vendo-se acolhida dessa maneira, a grande Nanon chorou secretamente de alegria e, com toda a sinceridade, apegou-se ao tanoeiro, que, aliás, a explorou feudalmente.”


...

A senhora Grandet era uma mulher seca e magra, amarela como um marmelo, desajeitada, lerda; uma dessas mulheres que parecem feitas para ser tiranizadas. Tinha ossos grandes, um nariz grande, testa grande, olhos grandes e oferecia, ao primeiro aspecto, uma vaga semelhança com essas frutas fiapentas que não têm nem sabor nem suco. Seus dentes eram escuros e raros, sua boca enrugada, seu queixo tinha a forma dita de galocha. Era uma excelente mulher, uma verdadeira La Bertellière. O abade Cruchot sabia encontra ocasiões para dizer-lhe que não tinha sido feia, e ela acreditava. Uma doçura angélica, uma resignação de inseto judiado pelas crianças, uma piedade rara, um inalterável equilíbrio de gênio, um bom coração, fizeram-na universalmente lastimada e respeitada.

(Um das 88 narrativas – entre romances e novelas curtas – que compõem a magistral ‘A Comédia Humana’, Eugènie Grandet, originalmente publicado em 1833, inaugura as ‘Cenas da Vida Provinciana’, que, por sua vez, está contida em um das três subdivisões d’A Comédia, ‘Estudos de Costumes’ – as outras são ‘Estudos Filosóficos’ e ‘Estudos Analíticos’. Um dos mais aclamados romances de HONORÉ DE BALZAC, ‘Eugènie’ conta a história de uma típica família burguesa do interior, e por tabela, faz um retrato da sociedade francesa da época: o patriarca, senhor Grandet, ex-toneleiro, ao casar herda a fortuna da mulher, e acaba tornando-se um bem sucedido vinhateiro. Um belo dia, um sobrinho vindo de Paris, Charles, aparece em sua casa. É filho do irmão do Sr. Grandet, que, em função das dívidas, acaba de suicidar-se. O Sr. Gandet inicialmente o acolhe, mas pensa no sobrinho apenas como uma boca a mais a alimentar. O sobrinho e Eugènie, filha do Sr. Grandet, se apaixonam, mas para o velho, expressão máxima da avareza, tudo é negócio, e ele não imagina outro destino para a filha que não o casamento com alguém igualmente de posses, pra que a fortuna se multiplique – e a essas alturas, Eugènie já é disputada por duas famílias da região. Balzac, nascido em 20 de maio de 1799 em Tours, teve que fazer um trato com a família para dedicar-se à sua vocação de escritor: tendo formado-se em Direito, com três anos de profissão chegou à conclusão que muito mais produtivo seria lançar-se aos relatos ficcionais do que vira nos tribunais – as intrigas, as negociatas, os conchavos –, mas a família foi contra. Então ele propôs que a família o sustentasse por um ano e se a nova atividade não lhe trouxesse autonomia financeira, voltaria a advogar. Dedicou-se, então, à leitura dos clássicos, mas no período combinado, escreveu apenas uma tragédia para o teatro. Mostrou-a a seu professor de literatura, e a resposta, cruel e lacônica, foi: “faça qualquer coisa, menos literatura”. Mas Balzac não desistiu: como o sucesso da época eram os romances sentimentais, ele publicou algumas histórias do tipo, em jornais e revistas, e aos poucos foi encontrando o caminho do sucesso, ao passo que ia distanciando-se da escrita folhetinesca, forjando seu estilo realista e compondo grandes painéis da burguesia de seu tempo. Balzac vivia para a literatura: chegava a escrever por até 20 horas por dia, turbinado por litros e litros de café, o que deve ter contribuído bastante para sua vida curta: morreu em 1850, em Paris, com 51 anos, três meses depois de se casar com Madame Hanska, uma rica polonesa com quem se correspondeu por mais de 15 anos. Victor Hugo discursou no seu enterro. Em frente a seu túmulo, há uma estátua esculpida por Rodin. Deixou ensaios, peças de teatro, poesia, panfleto, mas o filé de sua obra mesmo é ‘A Comédia Humana’, que embora irregular – sabe como é, o cara escrevia rápido demais –, deixou romances clássicos como ‘A Menina dos Olhos de Ouro’, ‘A Pele de Onagro’, ‘A Prima Bette’, ‘Esplendor e Miséria das Cortesãs’, ‘Ilusões Perdidas’, ‘O Coronel Chabert’, ‘O Pai Goriot’, ‘O Primo Pons’. Chegou a ser aclamado em vida mas obteve mesmo o reconhecimento unânime como um dos maiores nomes da literatura de todos os tempos depois de morto. Otto Maria Carpeaux, gigante da crítica literária, chega a dizer que “a história do romance como gênero literário divide-se em duas épocas: antes e depois de Balzac”. A obra de Balzac, editada no Brasil primeiramente pela Editora Globo com tradução e notas de Paulo Rónai, outro bambambam da crítica, vem sendo relançada pela L&PM, que promete disponibilizar toda ‘A Comédia Humana’ (‘A Menina dos Olhos de Ouro’, ‘A Pele de Onagro’, ‘Esplendor e Miséria das Cortesãs’, ‘Ilusões Perdidas’, ‘O Coronel Chabert’ – seguido de ‘A Mulher Abandonada’ –, ‘O Pai Goriot’, ‘Estudos de Mulher’, ‘Ferragus’, o popular ‘A Mulher de Trinta Anos’ – que popularizou a expressão “balzaquiana” –, ‘O Lírio do Vale’, ‘A Duquesa de Langeais’ e ‘A Vendeta’ – seguido de ‘A Paz Conjugal’ – já saíram), mas boa parte dela está disponível digitalmente através do Projeto Gutenberg).


Balzac por Rodin: se tivesse ouvido a família ou seguido o conselho de seu professor, o mundo jamais teria conhecido a monumental 'A Comédia Humana'

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Paradão da Semana (1º a 05/06/2009)

Terrapin’ (Syd Barrett)
Kids Don’t Follow (Replacements)
ELO Kiddies (Cheap Trick)
Dirty Boots (Sonic Youth)
Threads (Portishead)
Open Up (Leftfield c/ John Lydon)
Funkyar (Spacetime Continuum)
Casino (Spring Heel Jack)
Twift Shoeblade (Mouse On Mars)
4 (Aphex Twin)
Picnic in the Summertime (Deee-Lite)
Lady Grinning Soul (David Bowie)
New Gods (Meat Puppets)
Gimme Gimme Shock Treatment (Ramones)
A Big Day Coming (2nd Version) (Yo La Tengo)
Risingson (Massive Attack)
Red Alert (Basement Jaxx)
Kelly Watch the Stars (Air)
Hedspin (Plaid)
Pacific 202 (808 State)
Move Any Mountain (Shamen)
Brown Paper Bag (Roni Size & Reprazent)
Far Gone and Out (Jesus and Mary Chain)
Park Avenue (Girls Against Boys)
The N.W.R.A. (ao vivo) (Fall)
Natural Decline ((Smog))
Sword of Damocles (Lou Reed)
Back of a Car (Big Star)
Night By Night (Steely Dan)
A Gaiola do Som (Wado)
The Real Thing (Faith No More)
Israel (ao vivo, ‘Nocturne’; intro: ‘Birds of Fire’, Igor Stravinsky) (Siouxsie and The Banshees)
Back to Base (Fugazi)
Damaged Goods (Gang of Four)
World at Large (Modest Mouse)
Sickness (Iggy Pop)
Don’t Go Near the Water (Beach Boys)
Jingo (Santana)
Hotwax (Beck)
Estação Primeira (Gueto)